Mais do que lícito, é imperioso que a situação seja encarada tal como, na verdade, se apresenta, ou seja, como guerra de terrorismo.
Portugal está a ser atacado por forças do terrorismo, internacional ou não, com ou sem apoio interno.
A situação que se tem vivido não tem nada que se compare a qualquer outra que tenhamos tido desde sempre e os incêndios, a sua extensão, a sua força destruidora, indiciam que os autores e mandantes não são meros criminosos de delito comum.
Tudo aquilo a que temos assistido mostra que há por detrás desta “terra queimada” organização suficiente para a obtenção dos efeitos pretendidos e que têm sido obtidos integralmente, perante a impotência de bombeiros e de outras forças de paz, para além das próprias populações, todos eles mobilizados em número de muitos milhares.
Não é, na verdade, qualquer mexeruca organização que consegue chegar a este patamar de eficácia e impunidade.
Há, por outro lado, como qualquer pessoa minimamente informada e lúcida facilmente percebe, muitas formas de fazer terrorismo. Não só o que faz explodir combóios e autocarros e aviões, matando, acto contínuo, milhares de vidas, é terrorismo. Será mais espectacular, sim, mas não é a única forma de aterrorizar e levar ao desespero populações inteiras.
Reduzir a cinzas grandes extensões de território de um país é, igualmente, uma forma de terrorismo. Mais disfarçada, menos espectacular, mas não menos eficaz nos efeitos.
Estes incontáveis e incontroláveis incêndios florestais têm um efeito terrível nas populações, deixando muitas à míngua e obrigando o Estado a gastar recursos de que não dispõe, em subsídios sucessivos e outras ajudas, que, mesmo assim, nunca chegam a compensar as perdas sofridas, mas, para além disso, constituem factor cada vez mais agravado de desertificação do território, por destruição do sustentáculo da vida nas terras atingidas.
Este problema tem que ser enfrentado de imediato e com todos os recursos disponíveis. Entre outros, e porque se trata de uma guerra, os meios militares há muito que deveriam ter sido accionados. Não se percebe por que o não foram, se até os próprios militares vêm às televisões manifestar a sua surpresa e até indignação pelo facto.
Por outro lado, assistimos, com total estupefacção, a uma completa paralisia do governo e até do ainda presidente da república, que, enquanto o país se consome em chamas, se vai distraindo condecorando idiotas de chapéu de palha enfiado na cabeça, em atitude de completo desrespeito pelo país, que, pela atitude que assumem, consideram de terceiro mundo e as próprias autoridades máximas permitem que considerem.
Não se vê que sejam tomadas medidas concretas. Não se constata que alguém tente minorar a angústia das sofridas populações.
O que é que o governo sabe e não vem dizer?
O que é que o governo descobriu por detrás de tudo isto, que o deixou completamente paralisado, incapaz de actuar, ele próprio aterrorizado? Emudeceu, paralisou, morreu. Talvez de morte macaca.
Salvou-se apenas o "nosso primeiro". E mesmo esse, talvez apenas porque, um pouco mais sagaz, em devido tempo fugiu para o Quénia e de lá telefonou para o substituto, perguntando se devia regressar. Como se tal pergunta se fizesse!... Ao que o impagável, antes de ter desaparecido de circulação, ele também, lhe terá dito, por 2-vezes-2, que se deixasse estar onde estava.
E qual a razão por que o "nosso primeiro fugitivo" deveria deixar-se ficar onde está, em vez de regressar de imediato ao país, como era sua obrigação? A mesma que levou o monarca português de então a fugir para o Brasil, quando das invasões francesas?
E se o governo e o presidente da república esclarecessem estas coisas e um actuasse como lhe compete e o outro adiasse para as calendas gregas condecorações sem nexo e menorizantes do Estado Português e obrigasse a que se actuasse, como igualmente lhe compete?
Mas quando é que em Portugal cada qual passará a fazer aquilo que lhe compete por dever de ofício ou de cargo e se deixa de floreados para a fotografia que, ainda por cima, sai borrada?
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