sexta-feira, abril 21, 2006

738. O estado da Nação ou, melhor dito,


o estado a que fizeram chegar
o órgão de soberania Assembleia da República

Ontem, à noite, na RTP1, assisti a um programa simplesmente miserável, nojento.
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Tratou-se de O estado da Nação, programa bem ilustrativo do deplorável estado de miséria moral a que os políticos, neste caso os deputados, fizeram chegar a Nação.

Como resumo de tudo aquilo a que assisti, apenas pude concluir que a Nação está podre, perfeita e completamente podre. Uma miséria! Pobre Nação, representada por tal gente.

Estou mesmo em crer que, fosse quem fosse que assistisse àquele programa, por mais calmo e controlado que normalmente seja, não terá sido capaz de manter-se sereno e objectivo.

Mas… de que tratava o programa, qual o assunto em discussão? Nada mais, nada menos do que as faltas dos deputados às votações marcadas para meados da semana passada.

Tendo assistido, a minha primeira reacção foi a de correr para aqui e desancar os intervenientes e o moderador, este por se ter limitado a ouvir e meter uma pequena farpa de quando em vez. (E, no entanto, pouco mais poderia fazer o pobre do homem, José Rodrigues dos Santos, de seu nome, que, tal como nós, estava de queixo caído, estupefacto perante a desfaçatez da atitude, as enormidades que foram saindo daquelas verborreias insultuosas para com todo um povo).

Não o fiz, porém, porque, a tê-lo feito, certamente que iria insultar alguém de forma absolutamente imprópria. Tentei, pois, aquietar-me um pouco mais, durante toda a noite e hoje, dia fora.
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Não o consegui totalmente, todavia. A indecência foi tal que não me é possível calar a revolta, a tremenda indignação, a vontade de apedrejar alguém. É isso! Nós, sim, estamos a precisar de uma “intifada”! Urgentemente.

Para quem não assistiu àquela miserável demonstração de arrogância, insensibilidade e descaramento perante os deveres “profissionais”, de representação a nível do Estado e sociais a que estão obrigados, sempre direi que não os vou aqui reproduzir, porque não conseguiria. E não conseguiria, não apenas por recear que me dê alguma coisa má a meio, como porque não seria capaz de me manter num nível aceitável de responsabilidade e seriedade pessoal, mesmo de educação. É que, porra!, há coisas que um homem não pode aguentar nem admitir sem revidar por todos os meios ao seu alcance, tal a afronta!

Direi, assim e apenas, que nunca vi tamanha desfaçatez, tamanha arrogância, tamanha falta de senso e de pudor a nível político, social e de Estado.

Os deputados que ali estiveram, falando em seu nome e no dos partidos PS, PSD, CDS, PCP e Bloco de Esquerda demonstraram à evidência, que não têm o mínimo respeito pelos deveres do cargo, que se estão positivamente marimbando (para não dizer cagando) para os eleitores, que o Estado, para eles, não passa de uma coutada privada, onde procedem como bem entendem, não se sentindo minimamente obrigados a prestar contas pela sua mais do que provada incompetência funcional e social e, pior do que isso, relapso incumprimento dos mais estritos deveres de um representante do Estado Português.

Numa qualquer mexeruca empresa privada, de vão de escada, estavam todos na rua, já, com a mais das evidentes justas causas, sem direito a qualquer indemnização.

Na Assembleia da República que temos, contudo, continuam impunemente a jactar-se em público, perante a maior audiência possível em Portugal, a das televisões, absolutamente incólumes e prontos para outra bárbara graçola do género.

E ninguém lhes vai à mão, porque o eleitor português é cobarde, além de, por falta de preparação escolar, cultural e cívica, não ter sentido crítico e, talvez por ser, ele também, avesso ao cumprimento de deveres impostergáveis, tudo deixa passar a estes senhores, tudo lhes perdoa e, quando do momento de votar, lá vai, subservientemente dar-lhes de novo o voto.
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É atitude de cobardia inaudita e retinta estupidez e, por conseguinte, faz jus a tratamento destinado a atrasado mental. Porque o é. Nestas condições, evidentemente que o é.

Mas... que haja um certo wise-guyism no cidadão comum, espertalhaço de um raio, campónio armado em sabichão das dúzias e enganador de tolos, não está correcto, mas, enfim, há que dar um desconto, por falta de base, a basesinha de que falava Eça... Num representante político de órgão de soberania do nível que deveria ter a Assembleia da República, é absolutamente inadmissível e não pode passar sem a devida sanção.
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Porque estavam a representar os respectivos partidos, aqueles senhores forneceram todas as razões para a imediata dissolução da AR, sem mais argumentação.
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Um parlamento nacional integrado por gente deste quilate, que não respeita a próprio órgão de soberania que integra, não respeita quem a elegeu, não respeita o país, perdeu toda a legitimidade e deveria ser, de imediato, posta a andar dali para fora, através da dissolução.

Para terminar, vivamente aconselho a quem não tenha assistido à miserável performance, de ontem à noite, dos pais da pátria que os… tem que aturar – performance que, aliás, se vem a acrescentar a tantas outras que a antecederam – a que solicite à RTP, uma de duas:

- que emita uma vez mais o dito programa, com aviso prévio, para que toda a gente possa assistir;

- que disponibilize uma cópia da gravação do mesmo.

Tenho a certeza de que não acreditará no que verá e ouvirá, mas talvez que lhe faça bem ver com os próprios olhos e ouvir com os próprios ouvidos. Com olhos de ver e ouvidos de ouvir.

Finalmente, felicito todos quantos, não obstante as desconsiderações anteriormente sofridas e mais esta, irão continuar, em rebanho, ordeiro como convém, a oferecer o voto em bandeja de cristal – quiçá da Boémia – a quem apenas merece ser devolvido à procedência por incumprimento de contrato social e político, assim lhes fornecendo novos ensejos para que lhes defequem em cima, em público, com o maior dos desprezos e desvergonhas.
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É urgente varrer o país. Por questão de dignidade, é muito urgente que o país seja liberto do lixo que o envergonha.
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* * *

Há que varrer o país, sim. Mas quem é que tem a coragem de meter mãos à obra?

Eu estou pronto para dar a minha contribuição. Quem mais?
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domingo, abril 16, 2006

737. Cristo no Mar da Galileia



Cristo
no Mar da Galileia


cerca de 1575-80, óleo sobre tela, 117 x 168,5 cm National Gallery of Art, Washington

Jacopo Robusti Tintoretto

pintor veneziano
(1518-94)




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sexta-feira, abril 14, 2006

736. Lá, como cá...

... parvalhões !
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735. Ainda a propósito...


... dos deputados faltosos ontem, 119 em 230, o que provocou que houvesse legislação não aprovada, uma vez mais por irresponsável falta de quorum, apetece aqui perguntar:

- Mas será que eles ainda respeitam alguma instituição e algum grupo de eleitores ou entendem que "este país" é uma coutada sua, onde põem e dispõem a seu bel prazer, com todo o despudor, completamente impunes?
Será que ainda lhes resta um mínimo de vergonha na cara, de dignidade?
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E é ou não caso para varrê-los do País? Será que queremos irresponsáveis deste quilate, sem honra, a representar-nos?
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Nas próximas eleições, continuaremos a depositar o voto a seu favor? Uma vez que eles a não têm, ao menos teremos nós um pouco de honra ou já nem nós a temos?

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É que pactuar com situações destas, dar cobertura - que é o que se faz, quando neles se vota - a gente deste quilate, é não se saber fazer respeitar e se não soubermos fazer-nos respeitar não merecemos que nos respeitem. Que é o que eles, afinal, fazem...
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Ora, vamos lá a ver se, de uma vez por todas, assumimos posição de verticalidade, abandonando postura idiota de subserviência, perante quem não está à altura dos cargos que exerce e responsabilidades inerentes. Vamos, de uma vez por todas, varrer o país desta lixarada, que infamemente o conspurca, emporcalha, reduz à maior das misérias, que é a miséria moral!
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É tempo de lhes mostrar que entendemos que basta de tanta pouca vergonha! É tempo de os meter na ordem, já que eles, por si só, se mostram incompetentes para o fazerem!
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Por uma questão de princípio de dignidade. Deles, do País, nossa!
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Adenda (21,52horas da mesma data):

Alguém que leia este post saberá dizer-me quem foram os faltosos? Os nomes apenas, que os grupos parlamentares eu depois consigo obter.

É que gostaria de confrontá-los com o sucedido, pedindo explicações.

Que eles têm que dar...
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734. Páscoa feliz

Páscoa feliz
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733. Ecce Homo


Ecce Homo ou Cristo da Cana Verde.


Trata-se de obra da Escola Espanhola, óleo sobre tela, com as dimensões de 33,5 x 48cm.

Supõe-se que seja da autoria de Francisco Florez, discípulo de Luís Morales, El Divino.

É datado dos primeiros anos do séc. XVII. Foi restaurado em 1995.

Integra colecção particular.

segunda-feira, abril 10, 2006

732. "280 aD"


O beijo de Judas, aqui numa interpretação de Giotto di Bondone, existente na Capela Scrovegni, em Pádua, embora não seja posto em causa, pode não se ter revestido da carga negativa que, durante dois milénios, se lhe atribuiu.
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Um documento conhecido por Evangelho segundo Judas Iscariote está, comprovadamente já, após datação pelo carbono 14, investido de autenticidade que ninguém põe em causa.
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Mas não apenas a datação pelo carbono o autentica. Também as referências nele contidas coincidem e reforçam trechos dos evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João.
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Os evangelhos atrás referidos terão sido escritos entre 60 e 100 aD.
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A primeira versão do Evangelho de Judas tê-lo-á sido em data posterior, mas antes de 180 aD.
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Na verdade, naquele ano, Santo Ireneu, nascido na Ásia Menor e que viria a ser bispo de Lyon, considerado o maior teólogo do séc. II, referiu-se-lhe abundantemente, em tom muito crítico, na sua obra mais importante, Adversus haereses (contra as heresias), escrita entre aquela data e 185 aD.
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Uma outra versão (ou cópia da primeira) terá sido escrita em 280 aD, pelos seguidores do pensamento gnóstico (gnosis significa conhecer, de conhecimento espiritual). ...
Depois de perdido durante aproximadamente 1900 anos, foi descoberto numa gruta do deserto egípcio na década de 50 do séc. XX, por um aldeão que o terá vendido a um negociante de antiguidades.
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Este, por seu turno, tentou mercadejá-lo nos Estados Unidos e, não o tendo conseguido, guardou-o em caixa-forte bancária, em que esteve por cerca de 20 anos e onde, sem qualquer tratamento, se terá deteriorado mais do que nos quase dois milénios em que jazeu no fundo de uma gruta no deserto.
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O manuscrito contém cerca de 62 folhas, escritas em copta, língua antiga dos cristãos egípcios, e o seu conteúdo - que, pelo que se sabe já, feitas que estão a reconstituição de 85% do texto e boa parte da tradução do copta, contradiz algumas asserções até agora inquestionadas - parece vir revolucionar a teoria até agora vigente quanto ao despontar do cristrianismo e mesmo no que concerne à vida e herança de Cristo, na sua existência terrena, sem que, contudo, tal facto possa abalar os princípios da fé cristã, como até agora foi catequizada e seguida.
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Muito pelo contrário há mesmo quem assevere que este novo evangelho constitui a chave para o reforço da mesma fé, opinião que pessoalmente partilho.

domingo, abril 09, 2006

731. Felizmente...



... continua a guerra no balneário.

Encantados, os adversários agradecem penhoradamente.

Tal como agradecem que Köeman continue a parecer um zombie no banco e a desmotivar o grupo de trabalho, com declarações e entrevistas perfeitamente killers.
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730. Efeméride – A batalha de La Lys

Faz hoje precisamente 88 anos que se travou a batalha de La Lys.

Efectivamente, Em 9 de Abril de 1918, na região da Flandres, sector de Ypres a batalha de La Lys que pôs frente a frente a 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português, em França, na I Grande Guerra Mundial, num total de 20.000 homens, que o general Gomes da Costa comandava, e 4 divisões do 6º Exército alemão, com 50.000 militares, comandados pelo general Ferdinand Von Quast
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A batalha ocorreu no decurso da ofensiva “Georgette” do exército alemão, durou quatro horas e nela o Corpo Expedicionário Português perdeu 7.500 homens, entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros.

O desastre, acima de tudo a sua amplitude e rapidez com que aconteceu, terá ficado a dever-se à impreparação das tropas portuguesas, uma vez que embarcaram para França sem qualquer treino militar que antecedesse a partida, à falta de meios de combate e ao moral baixo dos homens, por todos estes motivos, o que provocou muitas deserções e até suicídios, à circunstância de o ataque alemão se ter verificado quando os portugueses se aprestavam, finalmente, para retirarem para linhas mais recuadas e protegidas, uma vez que no próprio dia haviam recebido ordens nesse sentido e bem assim à ausência de apoio por parte do exército inglês, no qual se integrava o CEP, já que o grosso das forças inglesas retiraram sem conhecimento dos portugueses, tendo-os deixado praticamente sós perante a grande ofensiva alemã.

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729. Nu (6)

728. Laocoonte ou o silenciamento da voz da precaução



O quadro é de El Greco e encontra-se na National Gallery of Art, em Washington DC



O episódio do cavalo de Tróia, a que se refere Homero na Ilíada, conta que, quando do cerco de Tróia, Laocoonte, sacerdote do deus Apolo, pressentiu o perigo que o cavalo de madeira construído pelos gregos e deixado abandonado no campo fronteiro às muralhas de Tróia representava, pelo que se opôs à ideia de o levar para o interior da cidade.

Foi então que o deus dos mares, Poseidon, afecto aos gregos, enviou duas serpentes marinhas para o calar, as quais o estrangularam e aos filhos.
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O cavalo foi levado para Tróia. O resto é conhecido.

Do episódio, para além da atitude preventiva de Laocoonte, ficou célebre igualmente a frase que terá proferido:

Timeo Danaos et dona ferentes

ou seja, ”Receio os gregos e os que fazem ofertas(sem justificação, evidentemente). O significado da expressão “presente envenenado” vai no mesmo sentido.


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O grupo escultório, que Plínio, “o velho”, atribui a três escultores da Ilha de Rhodes, é do séc. I e representa Laocoonte e os filhos atacados pelas serpentes. Pode ser visto numa das galerias do Museu do Vaticano
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727. Sporting-Porto...

... e Porto-Sporting, de há pouco tempo atrás.

É de menor lisura de processos bater em quem está por terra, derrubado, desconsolado, acordado do sonho em que vivia, mesmo que antes tenha evidenciado altivez deslocada e pouco simpática.

Por conseguinte - e também por que não está na minha maneira de ser - não o farei. Se bem que, por vezes, a vontade assalte...

Limiter-me-ei, assim, a introduzir aqui uma remissão para algo que escrevi há umas três semanas atrás, a 18 de Março precisamente, sob o título "À atenção do SCP".

Garanto que não sou bruxo nem tenho família para os lados da Arruda dos Vinhos. Limitei-me a alertar para o que "estava na cara".
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sábado, abril 08, 2006

726. É urgente !

725. O mne do nosso contentamento...

Constituiu interessante estudo dos vários modos de encarar factos incontroversos da vida política nacional, o pequeno inquérito que fizemos, no sentido de saber se, como ministro dos negócios estrangeiros, Freitas do Amaral, é... (enfim, o qu'é qu'é...)

Ora, hands on aproach, vamos lá apreciar (pela rama, como deve ser, que há coisas que não podem ser levadas muito a sério, sob pena de "eles" ficarem cá fora e acabarmos nós por ser internados...):

1. mais de 1/5 das respostas considera que Freitas é mau ministro dos negócios estrangeiros, o que não surpreende porque, salvo melhor opinião – que não será melhor – é-o na verdade. E muito mau mesmo. Sócrates ainda não percebeu isso, mas vai perceber. Ou, então, percebeu mas encontra-se em período de expiação e pagamento… o que até nem lhe fará mal algum, diga-se em abono da verdade.

2. quase 14% entende que o abrangente Amaral não ministra. O que é puro engano. Ministra e bem, caramba! Cada gaffe diplomática ministrada pelo de cujus é um hino à idiossincrasia freitiana;

3. as hipóteses mais votadas são as que consideram que é o que merecemos, por castigo, e que deve ir de férias para a Papuásia. Embora não discordando completamente da primeira, sou a entender que, por muito mal que tenhamos agido, certamente que não nos comportámos tão mal assim, de forma a merecermos punição tão desumana.


In the other hand, pretender enviá-lo de férias para a Papuásia, constituindo prova iniludível de que somos gente de bem (sim, porque eu também votei nessa), já que não lhe regateamos o merecido repouso em paragens longínquas, onde mais facilmente poderá esquecer amarguras e ingratidões, é igual e contraditoriamente bem ilustrativo do egocêntrico luso espirito. Então, porque não apreciamos (sim, porque eu, relembro, também votei nessa) as suas excelsas qualidades, despachamo-lo para os confins papuasianos, na tentativa de que outros desgraçados - que nada têm que ver com a história - lhe aturem as bizantinices?

4. mais de 10% estão mais virados para a circunstância de que é o ministro que nos coube em boa sorte, por prémio, o que causa grande surpresa, pois que se saiba, se nada de muito mal fizemos, também nada de tão bom como isso praticámos, para alcançarmos semelhante prémio;

5. finalmente, há quase 7% de respostas que gostam do mne, entendendo que o homem é um bom ministro. Não há dúvida de que há gostos para tudo. O que será preciso que um ministro faça de incorrecto para que seja considerado mau? Bater na avozinha centenária e artero-esclerosada? Cuspir na sopa? Chamar nomes feios à mulher do primeiro ministro (quando a há, evidentemente)?

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sexta-feira, abril 07, 2006

724. Digamos que...





... todos diferentes,
todos iguais!

quinta-feira, abril 06, 2006

723. Un piccolo divertimento

Buon giorno.

Un piccolo divertimento per lei. Qui.
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quarta-feira, abril 05, 2006

722. As mais belas baías do mundo



Talvez que este site ajude a perceber a razão que me tem levado a insurgir-me contra as patifarias que têm sido feitas a Setúbal e por que digo que os setubalenses - os adventícios tanto quanto os indígenas - não merecem a região que têm.
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imagem tirada de vídeo..

721. Homossexualidade



Antigamente a homossexualidade era proibida.
Depois começou a ser tolerada.
Hoje, dizem por aí que é normal.
Acho que vou emigrar.
Ainda a declaram obrigatória...
Autor desconhecido
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domingo, abril 02, 2006

720. Freitas strikes again


O ministro dos negócios estrangeiros do actual governo português deu mais uma entrevista.

Meu Deus! Como ele gosta de falar quando avista um microfone a jeito! Fala que se desunha. E, claro, sabe-se o que invariavelmente acontece a quem sofre de incontinência verbal. Diz o que deve e, quase sempre também, o que não deve, quantas vezes nem se apercebendo de que o fez. Deve ser problema resultante do barulho das luzes e do encandeamento dos flashes.

Mal chegado do Canadá, logo com aquele ar seráfico que tão bem lhe fica e de olhar arregalado que tão impressionados e aflitos deixa os interlocutores, falou, falou, falou… e, entre outras coisas, dixit:

- Em muitos dos casos (dos portugueses agora expulsos do Canadá ou em vias disso) o processo de expulsão decorria há já um ano.

Que os jornais e as rádios e tvs o digam, tudo bem. Agora o ministro dos negócios estrangeiros?!

Estão a ver como o ilustre governante-diplomata fala demais? Ele teria todo o interesse em que não se soubesse que a coisa estava em curso há um ano.

Porquê?

Porque Freitas e compagnos de route estão no governo há já mais de um ano.

E que providências tomaram neste entretanto? Quem poderá elencá-las?

A alguém que venha contrapor que esse era problema dos cidadãos portugueses alvos do processo e não do governo, sempre se dirá que tal não colhe.

E não colhe por duas razões elementares:

1. certamente que a questão era do conhecimento da representação oficial portuguesa no Canadá, desde o início, não podendo, esta e os respectivos dirigentes, no Largo do Rilvas e em S. Bento, ignorar tal facto, para mais consistindo a missão mais importante de qualquer representação diplomática em apoiar os cidadãos do país, sob pena de lá não estar a fazer nada e, portanto, ser dispensável (para frequentar os beberetes de pôr-de-sol não será necessário tanto espavento e tanto gasto, pois que bastará destacar um qualquer bon-vivant, ainda que incapaz, da Quinta da Marinha ou de outra qualquer quintarola similar);

2. mesmo que se tratasse de 20 ou 30 ou 50 portugueses, a obrigação dos representantes do governo seria a de prestarem o apoio e esclarecimento devidos; no entanto, tudo se agrava quando se trata de milhares (fala-se em 15 mil, mas também em 40 mil…), pois que a dimensão da expulsão era previsivelmente tal, que não é admissível que o governo tenha ficado um ano de braços cruzados, a olhar para o sete estrelo e a assobiar o tiro-liro e só tenha saído do torpor em que se achava, quando as coisas deram para entrar em turvação, com a contestação que começou a surgir, à medida que os nossos compatriotas desciam dos aviões na Portela e as “cuscas” estações de televisão indiscretamente lá estavam, para darem fé do que se passava…

Este é, pois, mais um caso provado de incompetência diplomático-governamental e da usual falta de apoio e protecção a cidadãos portugueses no estrangeiro. O que, diga-se de passagem e em abono da verdade, não causa grande admiração, já que cá dentro também não são protegidos e muito menos apoiados…

E este é, finalmente, mais um caso comprovado de incontinência verbal do titular da pasta dos negócios estrangeiros que nos coube em rifa. É que nem para ele próprio, para os seus interesses, é bom…

Com Freitas tem sido assim, de há mais de um ano para cá. A cada cavadela sua minhoca.

Assistindo a estas cenas, acredite-se que me arrepio, só de imaginar o que se passa nos encontros, meetings, cimeiras, cumbres, simples reuniões tête-à-tête ou diplomática ménage à trois, em que os interesses de Portugal estão em jogo.

Se Deus não nos acode…

719. Vai um café?



Agora, depois do almoço, cai muito bem!
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718. De outros blogs: "Hipocrisias tolas"

Governo misógino quer "paridade"
Um governo com apenas duas mulheres entre 17 ministros e só três secretárias de Estado num elenco de 31 fez votar no Parlamento uma lei da "paridade" contra a "subrepresentação" feminina nas listas eleitorais de todos os partidos. Se a hipocrisia pagasse imposto, o Executivo Sócrates iria à falência...
Pedro Correia, in CORTA FITAS

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Há escritos que nem precisam de comentários adicionais...
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717. De outros blogs: "Mais um bluff"

Uma leitura mais atenta dos documentos aprovados no último Conselho de Ministros ajuda-nos a colocar na sua verdadeira dimensão o esforço de reestruturação da administração central.
David Justino, in
4R - Quarta República.

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Os bluffs e "canhestrices" actuais - bem como os anteriores... - têm sido tantos, que mais um menos um já não aquenta nem arrefenta. Deixemos, pois, que a rapaziada se divirta, supondo que reestrutura e governa.

Temos todos arcaboiço suficiente para aguentar tudo e mais alguma coisa. E, quando não tivermos, fecha-se a loja, muda-se de ramo e abre-se ao lado, com outra gerência, quiçá com outros sotaques...

Ou nos enganamos muito ou a cada dia transcorrido razões novas surgem para que se ouça mais e mais gente a não se importar de ser governada por castellanitos... E a culpa nem é dos castellanitos, no señor!
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716. De outros blogs: "Indígena intelligentsia"

O Procurador-Geral da República contestou a ideia de ter de dar conta perante a AR da execução da política criminal, sendo hoje citado pelo Público (link disponível só para assinantes) como tendo perguntado: «Como é que um órgão de soberania responde perante outro, se não depende dele?»Ora, que se saiba, a PGR não é nenhum órgão de soberania, pelo que a observação citada é perfeitamente descabida. (...)
Vital Moreira, em Causa Nossa

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Em Portugal fazem-se afirmações sobre afirmações de afirmações de outrem com uma ligeireza assombrosa. Ligeireza, sim, quando não pura má fé.

Não será preciso conhecer Souto Moura para, em benefício de dúvida, lhe conceder que sabe o que é um órgão de soberania e quais os órgãos de soberania existentes em Portugal. Para quem o conhece bem, todavia, o texto acima é completamente... surrealista, digamos, para sermos moderados.

Passar como sobre vinha vindimada neste particular e atirar mais uma acha à fogueira, convinha muito, porém, porque, a tal expediente não se recorrer, ficava-se sem assunto...

Mais um produto da nossa mais elevada soi-disant intelligentsia. Et, pourtant, quoi peut-on faire?
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sábado, abril 01, 2006

715. Em fim de tarde de sábado


Não é com muita frequência, pois há obrigações-devoções a que é forçoso dar atenção, mas, de vez em quando, lá temos, a Isabel e eu, a possibilidade de passar uma tarde de sábado entregues a nós próprios, passeando, visitando um qualquer museu ou exposição, mesmo qualquer ponto de interesse, entre Alcácer do Sal, a sul, Évora, a leste, Mafra, Alcobaça, Óbidos, Caldas da Rainha, Leiria mesmo, a ocidente e noroeste. E lá vamos andando, em calma e oaristo sereno.

Agradam-nos muito esses pedaços de tempo, em que o tempo parece não existir, tornando-se imaterial. Falamos de tudo e de nada e muitas vezes passamos mesmo longos períodos sem proferir palavra, por desnecessária. Temos já mais de três dezenas e meia de primaveras, verões, outonos e invernos de casamento, para o bem e para o mal.

De quando em vez, optamos por ir até à beira-mar lisboeta - já que a de Setúbal foi completamente estragada por uns senhoritos abusadores, uns tais, de entre os alarves que muito mal têm feito à cidade e ao concelho - aproveitando para, de frente para o rio, em esplanada aberta, apreciarmos o pôr-de-sol e tornarmo-nos, nós também, esotéricos.

Descobrimos tempos atrás o Piazza di Mare, ali mesmo à beira-Tejo, na Avenida da Índia, em frente da Cordoaria. No Piazza, por seu turno, descobrimos uns crepes absolutamente divinais. E, assim, lá vamos uma vez por outra, matar o vício.

A Isabel perde-se de amores por um com morango e mais não sei quê. Eu por um com duas bolas de gelado, uma de chocolate e outra de baunilha, tudo regado com chocolate quente.

Meus amigos, aquilo é de comer, repetir e abusar. Claro que não repito nem abuso, até porque já não estou em idade de abusar dessas coisas (e de outras, diga-se de passagem...), mas, por outro lado, aconselho:
Se não conhece ou, conhecendo, nunca experimentou os crepes doces do Piazza di Mare, vá até lá. O crepe não será cheap enough, mas, caramba!, vale a pena. E quanto ao atendimento nem parece estarmos em Portugal, Até pelo sotaque.

E o pôr-de-sol!...
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714. Sócrates agraciado

sexta-feira, março 31, 2006

713. Sonae quer esconder a co-incineração...

... dos turistas.

Este o título de uma notícia de 26 do corrente, no Setúbal na rede, O Portal do Distrito.

Pois...

Por que não Belmiro de Azevedo convencer o seu amigo Sócrates a ir queimar (-se?) para outros paragens?

Por outro lado, não é ele, Belmiro, que manda no País? A quem todos pressurosa e subservientemente acorrem para o beija-mão da praxis?

Então?!

Estará Setúbal condenada a continuar a ter tratamento underdoguesco? Por qualquer arrivista mal enjorcado que apareça? E por culpa dos setubalenses, filhos próprios ou adoptados, que, mais parecendo impotentes ou castrados, uma vez mais vão deixar-se vilipendiar?

Questões candentes que muito gostaria de ver respondidas.

* * *

Já agora, repare-se no “mimo” abaixo.

A páginas tantas da apresentação em Setúbal da iniciativa “Academia Aberta do Turismo”, organizada pelo Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), Henrique Montelobo, ilustre administrador executivo da Sonae Turismo sai-se com esta:

- Não alinhamos em campanhas que afastem os turistas de Tróia

Surpresa... surpresa...


A quem se referia Montelobo? A Sócrates e ao governo, como seria curial e expectável, por estarem a destruir o ambiente em Setúbal e na Arrábida, mas também no empreendimento do amigo Belmiro?

Não, nada disso.


Estava, sim, a dar um puxão de orelhas a todos quantos vão manifestando a sua oposição à co-incineração na cimenteira Secil, que mais penaliza a Arrábida e toda a região.

Só faltou ao ilustríssimo administrador mandar expressamente calar quem se insurge contra mais este atentado feito a Setúbal. Ficou para a próxima. Desta vez quedou-se pela insinuação-aviso...

Em Portugal, é assim… no consulado de Sócrates, o consolado. E cidadão a vê-los passar...

Como não hão-de os portugueses renegar políticos e outros artistas congéneres?

quinta-feira, março 30, 2006

712. Leitura urgente e a não perder...



...são os textos publicados por Nuno Guerreiro, no seu blog Rua da Judiaria, sob o título genérico "500 anos: o massacre de Lisboa", partes I, II, III, IV e V.

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terça-feira, março 28, 2006

711. Marques Mendes deveria ser...

* mais alto? 0%
* menos baixo? 18%
* nem tão alto nem tão baixo? 0%
* mais obediente ao chefe? 0%
* menos obediente ao chefe? 0%
* mais peripatético? 9%
* menos penteado? 18%
* Nada disso. Está bem assim, catarino! 45%

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Através desta sondagem extremamente fiável, fica-se a saber que, efectivamente, Marques Mendes deverá, no entendimento dos ilustres votantes, continuar como está, que está bem assim, catarino!
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Sou levado a concordar com o resultado... Assim como assim, o homem é muito parecido com o "Melhoral". Não faz bem, mas também não faz mal...
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Ou melhor... Não se sabe se faz bem ou se faz mal...
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Não existe.
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710. Assim também vale?

Contra o Benfica vale tudo...

A vontade de impedir que o SLB consiga mais uns pontitos é tal que, se não se puder impedir de outra forma, vai... à dentada, pois então!


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709. Migrações


Quando muito empurrado... o homem vai lá!


A propósito de um diferendo que se abriu em outro blog, o Terras de Azurara, do Agnelo Figueiredo, a propósito da absurda expulsão (pelo muito exíguo prazo do pré-aviso) de portugueses que estavam no Canadá há anos, em alguns casos há mais de uma dezena, julgo chegado o momento de esclarecer a minha posição quanto à questão da imigração.

1. Sou a favor, decididamente a favor, da aceitação e integração dos imigrantes que nos procuram.

Por vários motivos, a saber:

* temos - sempre tivemos - vocação universalista, podendo até orgulharmo-nos de havermos sido os reais criadores do conceito de "aldeia global" (a famigerada globalização é outra coisa...), pelo que há que honrar - e honraremos, estou seguro - as nossas tradições;

* temos necessidade de acolher imigrantes, uma vez que, a continuarmos com a actual taxa de natalidade, um dia destes estamos sem população, quando menos com uma população quase exclusivamente constituída por idosos.


* temos, enfim, a obrigação, ao menos moral, de retribuir o que já a muitos de nós outros povos fizeram;

* uma grande e muito significativa parte da imigração que temos (nos últimos anos) é de nível escolarizado e cultural elevado e que, portanto, muito nos interessa e valoriza. Não tem nada que ver com o tipo de emigração que nós tivemos em tempos idos (não quero, com isto, menosprezar esses nossos emigrantes, mas simplesmente coligir factos);

* é, aliás, a imigração que actualmente temos que estará já (pelo que dizem as estatísticas) a proporcionar a possibilidade de os cofres da Segurança Social estarem, por enquanto, a satisfazer ainda as necessidades;

* mesmo a imigração não tão escolarizada vai trabalhando (quantas vezes em tarefas que nós próprios não aceitamos) e não causa problemas no país, já que aqueles, como bem sabemos, são causados, isso sim, pelas gerações de descendentes de povos que colonizámos e que já nasceram cá, os soi-disants "desenraizados", eufemismo pseudo-progressista e cretino usado para justificar o injustificável, uma vez que, nascidos cá, não foram retirados das suas raízes. Os pais, sim, eles não. Mas os pais não criam qualquer perturbação no tecido social português.
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Sou, portanto, decididamente a favor do acolhimento de imigrantes em Portugal.
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2. Sou absolutamente contra qualquer tipo de imigrante que venha causar distúrbios na sociedade portuguesa. Os nossos próprios distúrbios já são mais do que suficientes, não precisando, pois, de se verem acrescidos dos de outros.

Ora, em nossa casa mandamos nós e, por isso, apenas devemos aceitar quem nos respeita. E respeitar-nos é submeter-se não somente às nossas regras escritas (leis), como às não escritas, ou seja, à nossa maneira de ser, nossa idiossincrasia, o que nos distingue dos outros povos, o nosso Direito consuetudinário, digamos assim.
Esta é uma regra sagrada que não deve ser quebrada pelos imigrantes que recebemos e muito menos devemos nós permitir que alguém quebre.

Mesmo no caso de haver que retirar a qualquer imigrante o direito de permanecer entre nós e aqui fazer a sua vida, a vida a que todos os seres humanos têm direito, tal jamais deve acontecer com a postergação do direito de defesa e, no caso de legal e legitimamente ser decidida a expulsão, ela não deve verificar-se sem que, em prazo razoável, a pessoa em causa tenha a possibilidade de minimamente se organizar, para iniciar a nova etapa da sua vida.

E aqui é que estou completamente ao arrepio da atitude das autoridades canadianas. É que não basta ter a razão (e nem sei se a têm nem neste escrito disso cuido). É preciso também não a perder no decurso do processo. E os canadianos perderam-na com o prazo que “concederam” aos expulsos, com o inusitado da situação.

Quanto à performance do governo português, designadamente do seu ministro dos negócios estrangeiros, fico-me por aqui. É mais uma boutade, das muitas com que temos sido brindados. Vamos ficando habituados a elas. Já nem perplexidade causam. O homem só vai às coisas, desde que empurrado...

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