domingo, novembro 12, 2006
767. Sport Lisboa e Benfica. Para memória futura

É isso!
Para memória futura, se deixa aqui registado que, sendo certo que, em historial, nobreza e galhardia, o Sport Lisboa e Benfica tem tido, desde há dezenas de anos, lugar reservado na galeria do muito reduzido lote de clubes realmente grandes, em todo o Mundo, a partir deste mês de Novembro de 2006, passa a figurar como o primeiro clube do planeta em número de associados… pagantes, para alegria de muitos milhões, indiferença de dúzia e meia e desespero de alguns milhares já com as unhas pelo sabugo, verdes de invídia e azuis de sufocação.
Uma saudação para todos.
Ruben Valle Santos
...
sexta-feira, novembro 10, 2006
766. Late afternoon thought... (2ª série - 1)
quarta-feira, novembro 08, 2006
765. Recorrente é...
Foto da Dir.Serv.Doc. e Inf. da Ass. Rep., publicada no site do Parlamento
Raros são os intervenientes que escapam a esta avalanche de actividade truculenta e cavernícola. Por vezes, somos mesmo levados a pensar que, na antiga praça da Ribeira, se era mais cordato e elevado nos sururus.
O noss'primêro, Sócrates de seu nome, então, já nos habituou a uma postura de afrontamento e crispação inauditos, com autênticos atentados ao civismo de que todos devemos dar provas, principalmente que detém mais responsabilidades perante o País, como ele.
Desta vez, no decurso do debate do Orçamento de Estado para 2007, não fez excepção, tendo-se portado comme d'habitude, ou seja, de forma lamentável.
Foi, porém, muito bem secundado pelo ilustre Teixeira dos Santos, ministro de Estado e das Finanças.
Os restantes comparsas, os afectos e os desafectos, não conseguiram chegar-lhes aos calcanhares. Têm muito ainda que aprender...
Devia haver um meio de os pôr de castigo, obrigando-os a assistir a todos os debates do Congreso de los Diputados, de Madrid, a título de exemplo, para ver se aprendem a portar-se como cavalheiros, ou seja, a debaterem os respectivos pontos de vista, numa base de digno comportamento cívico, ao menos de forma elementar.
...
terça-feira, novembro 07, 2006
763. Como era de esperar

O soi-disant debate de ontem no “Prós e Contras” da RTP1 não desmereceu do que é hábito neste tipo de encontrões à esquina, tão característicos da política portuguesa.
O que, noutras paragens deste planeta, em doses mais ou menos elevadas, serve para esclarecer os cidadãos acerca da situação do respectivo país, das posições de cada um dos intervenientes no debate e das soluções possíveis, em Portugal tem servido – sempre, valha-nos Deus! – apenas para provocar ruído ou, quando muito, para que um dos intervenientes – o conjuntural detentor do poder – se espraie em considerações menores e desviantes, tendentes a camuflar a verdade a todo o custo ou, quando menos, a abafar a verdade alheia - e menorizada - em detrimento da verdade própria, por via de regra engrandecida, mesmo e principalmente quando sem mérito descortinável.
Uma vez mais foi o que se verificou ontem no Pós e Tontas, de Fátima Campos Ferreira.
Já se esperava que o “encontro” para nada servisse que não uma amena cavaqueira de tontices, sem interesse nenhum para o esclarecimento do fundo da questão que é, não esqueçamos, a razão por que, 32 anos após a Revolução de Abril, estamos onde estamos e como estamos, e bem assim a tentativa de “achamento” de uma qualquer solução ou conjunto de soluções que possa levar-nos a começar a sair desta vil tristeza em que todos estes senhores, que tanto falam mas nada de útil dizem, nos meteram.
É certo que três dos intervenientes (e mais três assistentes a quem generosamente foi concedida a palavra como se lhes estivesse a ser oferecido o Reino dos Céus) ainda tentaram mexer as coisas e entrar na abordagem do que realmente interessa.
Na verdade, Daniel Bessa, Medina Carreira e Octávio Teixeira – uns com mais tacto do que outros e outros menos simpaticamente do que uns (embora a simpatia aqui não colha, porque não se pode dizer coisas duras que têm que ser ouvidas, de forma doce, sob pena de não se ser ouvido ou ser-se tomado por igual a tantos vendedores de banha da cobra que por aí andam a vender mezinhas milagreiras que apenas agravam a doença) – deram uns lamirés relativamente ao tal fundo da questão.
Como, porém, o “dono” do programa era o ministro, Teixeira dos Santos, e a mestre de cerimónias, Fátima Campos Ferreira, com aquele esganiçamento de voz e entradas e interrupções infelizes e a despropósito a que já nos vamos habituando, não deixou de estar bem atenta, esses pequenos fogachos sempre que tentados de imediato foram apagados, pelo que chegámos ao fim do entertainment ignorantes como chegáramos, é certo, mas também felizes e contentes como quem é enganado, mas não sabe.
Sendo certo que, como - pressuroso, antes que para a sua capelinha fosse lançado algum petardo - veio esclarecer Luís Marinho, Director de Informação da RTP, o “Prós e Contras” não é "programa de informação", mas sim levado a efeito pela Direcção de Programas - a tal que também se responsabiliza pela emissão de “O preço certo”, de "Dança comigo" e de outros fait divers interessantíssimos e que causam enorme gáudio à malta - há que dar um desconto.
No entanto, estes arremedos de debate deveriam ter lugar apenas lá pelas 4 da madrugada – que é quando a gente decente e trabalhadora está a dormir, retemperando forças para o dia seguinte – e com bolinha vermelha no canto superior direito do écran ou, por menos inaceitável, em períodos de campanha eleitoral, em que, por norma e consensualmente, se abre a gaiola para que toda a passarada habitual se liberte por momentos e mostre, grasnando aos quatro ventos, a incompetência, nuns casos, a má intenção, em outros, que no âmago lhe vai.
Os programas para esclarecimento real da população deveriam ocorrer de forma muito mais séria e competente, em entrevistas a solo, por gente preparada (por que carga de água não é um programa deste teor moderado por especialista no tema?!?!) a gente sabedora do que diz e como diz, capaz de explicar o que explicado tem que ser, sem peias, por não estar tolhida por teias partidárias ou outras, ainda que essa gente, pouco diplomática, possa chocar umas quantas cabeças que valorizam mentiras maviosas, emolientes, em detrimento de brutas verdades, sobressaltadoras.
Enquanto, porém, as coisas se mantiverem como estão – e estão-no há três décadas, pelo que são já uma real e venerável instituição – nada a fazer.
E assim, cá vamos, cantando e rindo… levados, levados, sim...
…
sexta-feira, novembro 03, 2006
762. Medina Carreira e a encruzilhada em que estamos

Assisti ontem a uma prelecção do Prof. Henrique Medina Carreira, aqui em Setúbal, e, confesso, se tenho andado muito preocupado, de há bons anos para cá, com a situação económica do país (e com tudo o que com ela ou dela resulta) ontem fiquei simplesmente aterrado!
Em resumo, diz o senhor que, mesmo com as medidas que estão a ser tomadas, à bruta, com pouca ou nenhuma sensibilidade, não se vai chegar a qualquer bom porto, porque a coisa está muito pior do que se admite, por razões eleitorais, e, tendo chegado ao que chegou, a única maneira de se ir "lá" está em alguém convencer os portugueses a trabalhar muito mais e muito melhor, devidamente preparados escolar e profissionalmente, pondo de parte reivindicações de toda a ordem e tendo paciência durante uns bons e largos anos. Só assim será viável tornarmo-nos viáveis.
Refere mesmo, tal como o havia já feito antes - veja-se Medina Carreira preocupado com o "rumo" de Portugal - que se o país continuar a seguir o mesmo caminho, poderá ter, em 2015, um défice do PIB à volta dos 12 por cento.(2006.03.03 SIC online)
Em resumo, o nosso problema é tão simples como isto: nunca tivemos, continuamos a não ter e não se vê que isso deixe de acontecer dinheiro para as extravagâncias que nos "enchem as medidas".E, ou abrimos os olhos e passamos a fazer pela vida, de modo a conseguirmos, com trabalho e esforço, parcimónia nos gastos sumptuosos e estúpidos a que nos entregamos, ou não iremos a parte alguma. Até mesmo porque, como toda a gente sabe, a nossa política económica não mais é ditada em e por Portugal, como o não é em Espanha ou em qualquer outro país da UE.
Éramos cidadãos normais de um mundo normal.
Até que nos habituámos, primeiro, às regalias que nos eram facultadas pelas especiarias do Oriente, "o cravo e a canela" de que falava o poeta. Depois, essa fonte secou e andámos aos "caídos", até que nos surgiu o ouro do Brasil, com que fizemos mais umas farras loucas. Acabado também esse filão, mantivemo-nos na apagada e vil tristeza até que surgiram os fundos comunitários. E de todos eles vivemos à tripa forra, e, como a cigarra, em alegre e irresponsável forrobodó. Até que chegou a hora de ajustar contas. E por aqui nos quedamos...
Medina Carreira vai estar na RTP1, na próxima 2ª feira, em debate com o Ministro das Finanças, no "Prós e Contras".
Curioso foi também ter dito que, aquilo que ontem nos disse e mostrou, com gráficos de toda a espécie, muito acessíveis, tem tentado mostrar na TV, de forma a que todos fiquem com a noção do que REALMENTE se passa.
Nas taxativas palavras dele, porém, as TVs têm-no impedido disso, recusando-lhe espaço. Coisa que ainda desta vez não vai conseguir por prever que o debate acabe por, como sempre acontece em Portugal, nada deixar esclarecer.
Por aquilo que ontem vi e ouvi por ele explanado, estou convicto de que, como de pão para a boca, estamos a necessitar urgentemente de umas pedradas no charco e que, assim, todos teríamos a ganhar se lhe fosse dado tempo de antena suficiente e sem interrupções, para expor toda a sua posição sobre o assunto. Depois, quando fosse julgado conveniente, o mesmo deveria ser feito com o ministro da Finanças, ou com quem o governo entendesse, para dizer de sua justiça.
Todos ficaríamos a ganhar com o assunto, muito mais esclarecidos, embora eu julgue que ficaríamos - tal como eu já estou - deveras assustados com a situação a que realmente chegámos. O homem merece ser ouvido, até porque, estou crente, estamos todos a precisar mesmo de um grandíssimo e aterrorizante abanão, que nos faça acordar do torpor ignorante, estúpido e cretino em que nos têm feito andar de há muitos anos a esta parte.
...
...
NB.- A este propósito, valerá a pena ler o que Medina Carreira publicou no blog "Grande Loja do Queijo Limiano", em 25 de Outubro de 2005, há mais de um ano, pois, sob o título No fio da navalha. Se bem que mais claro poderia ser-se levado a pensar que era impossível, o que é certo é que, falando para auditório presente e interventivo, o Professor consegue ser muito mais elucidativo. E arrepiante. Por não esconder nada.
...
761. A saga continua...
Confesso que não me foi possível confirmar a notícia que nele se relata. Tentei, mas não consegui, por a edição online do DN tal não permitir.
O conteúdo do email aí fica. A ser verdade, a escandaleira e "sem vergonhice" não têm mesmo parança!
No 'Diário de Notícias' de 20 de Outubro de 2006, na página 4, uma notícia pequenina, escondidinha, mas muito interessante, ilustra bem as poupanças e prioridades do status quo que nos governa.
Reza a notícia que a Assembleia da República aprovou ontem em plenário o seu próprio Orçamento para 2007 e do qual faz parte uma verba total para obras de "remodelação das bancadas e sistema de ar condicionado", obras essas que importam em mais de 3 milhões de euros (cerca de 600 000 contos na moeda antiga)...
Se aqui começamos a ficar no mínimo impacientes, o pior está, no entanto, ainda para vir:
Para adaptação do sistema de votação electrónica dos deputados (sistema esse que já existe, embora tenha funcionado mal numa das últimas votações) o Estado prepara-se para gastar, pasme-se!, um milhão e cem mil euros, ou seja, 220 000 contos! Isto, por um sistema em que o deputado carrega num botão e aparece o seu voto contabilizado num quadro electrónico!
Se a sua indignação e estupefacção são tão grandes como as minhas, faça circular este e-mail. Denuncie mais este abuso escandaloso!
...
Deus os abençoe! Ámen!
...
quinta-feira, novembro 02, 2006
759. Grandes portugueses...




Eise-os !!!!
.
Após porfiada e infrutífera busca por tudo quanto é lugarejo neste Portugal das maravilhas, em busca de grandes portugueses na categoria a que pertencem os espécimes lusos ao lado retratados, não tendo encontrado ninguém que se ajustasse ao perfil - dos grandes portugueses, não dos retratados, que desses há muito por aí... - houve que pedir socorro à imaginação para, a título de exemplo, tornar grandes estes seis.
A tarefa, embora difícil, foi plenamente conseguida e, deste modo, aí os vemos, grandes, em todo o esplendor.
Já que se estava com a mão na massa, aproveitou-se e deu-se-lhes um porte mais fino, que, aliás, lhes vai matar...
Ao menos aqui, caramba!
...
terça-feira, outubro 31, 2006
758. A vergonha ou a sua falta


Quem não tem memória curta certamente que ainda se lembra da vozearia louca levantada por Sócrates e "amigos do pêto" espalhados por tudo quanto era sítio, principalmente a Comunicação Social - como não podia deixar de ser - quando, aqui há dois anos, o então ministro das Finanças, António Bagão Félix aventou a possibilidade de Portugal entregar definitivamente a Moçambique a exploração da barragem de Cahora Bassa, assim se livrando o país de um encargo astronómico, ao mesmo tempo que teria a haver, pela dita transferência, um montante que muito contribuiria para aliviar o buraco orçamental existente. (2004, Agosto/Setembro)
...
Na berraria que se levantou dizia-se, então, que o que Bagão pretendia era "baixar" o déficit de forma capciosa, com mais uma "manobra de engenharia orçamental".
...
José Sócrates encontra-se hoje em Moçambique. Porquê e para quê?!
...
Para Portugal entregar definitivamente a Moçambique a exploração da barragem de Cahora Bassa, assim se livrando o país de um encargo astronómico, ao mesmo tempo que ficará a haver, pela dita transferência, um montante que muito contribuirá para aliviar o buraco orçamental existente. (2006, Outubro)
...
Se a sem-vergonha pagasse imposto estaríamos garantidos. Livra-nos-íamos de tantos e graves problemas orçamentais e outros. Estes senhores que fingem que nos governam teriam que pagar tanto que ficariam os nossos orçamentos familiares bem mais aliviados e disponibilizados para outras coisas que não sejam o pagamento das idiotices que tanto se têm feito ao longo destes últimos 30 anos.
...
Enfim!... Mais uma para um rol extensíssimo.
...
757. Mapa
segunda-feira, outubro 23, 2006
756. Abortando o aborto?

Dos crimes contra a vida intra-uterina
Aborto
1 - Quem, por qualquer meio e sem consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.
2 - Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com pena de prisão até 3 anos.
3 - A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.
Aborto agravado
1 - Quando do aborto ou dos meios empregados resultar a morte ou uma ofensa à integridade física grave da mulher grávida, os limites da pena aplicável àquele que a fizer abortar são aumentados de um terço.
Artigo 142º
...
a) Constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;
b) Se mostrar indicada para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez;
c) Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, comprovadas ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;
d) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas.
2 - A verificação das circunstâncias que tornam não punível a interrupção da gravidez é certificada em atestado médico, escrito e assinado antes da intervenção por médico diferente daquele por quem, ou sob cuja direcção, a interrupção é realizada.
3 - O consentimento é prestado:
a) Em documento assinado pela mulher grávida ou a seu rogo e, sempre que possível, com a antecedência mínima de 3 dias relativamente à data da intervenção; ou
b) No caso de a mulher grávida ser menor de 16 anos ou psiquicamente incapaz, respectiva e sucessivamente, conforme os casos, pelo representante legal, por ascendente ou descendente ou, na sua falta, por quaisquer parentes da linha colateral.
b) A mulher grávida que consentir no aborto ou que, por acto próprio, aborte, pratica crime e, como tal, será condenada;
c) Porém, não é punível a interrupção da gravidez (aborto), quando feito por médico e em estabelecimento hospitalar oficial, e
1. seja o único meio de evitar houver risco sério de morte da mulher ou grave dano irreversível, físico ou psíquico da mulher;
2. se mostrar indicada para obstar aos perigos enunciados acima, e for realizada nas primeiras 12 semanas da gestação;
3. se houver seguros motivos para prever que o bebé terá grave doença ou malformação congénita, desde que feita a interrupção nas primeiras 24 semanas da gravidez;
4. no caso de o feto ser inviável, a interrupção (aborto) poderá ser feito em qualquer momento da gravidez;
5. se a gravidez tiver resultado de violação ou de qualquer outro modo que tenha forçado a mulher, se o aborto for realizado nas primeiras 16 semanas.
...
Parece estarem aqui previstas todas as circunstâncias realmente atenuantes do crime que sempre é tirar a vida a qualquer ser humano, já que, como reconhece e comina o artº 24º da Constituição da República Portuguesa,
Porém, se a mulher ou alguém por ela ou com ela, se atrever a praticar o aborto às 10 semanas e 1 dia, ou seja, aos 2 meses e meio, mais um dia, isto é, ao 76º dia, que é como quem diz ao 1º minuto do 76º dia da gestação, aí, alto lá!, tem que ser severamente punida e já ninguém se revoltará com tal punição. Estará tudo legal e nos conformes...
...
Toda a gente sabe que não. O aborto candestino não irá acabar, nem tão pouco baixar de número de ocorrências. E, aí, a hipocrisia do caso. Quem tem possibilidades económicas continuará a ir a Espanha e até mais longe ou ao seu clínico, particular e complacente. Quem as não tem continuará a ir à parteira da esquina. E porquê, em ambos os casos? Simplesmente por todas saberem - e, mais ainda, por no íntimo sentirem, o que é bem mais culposo - que o aborto, sem as razões muito fortes que o autorizam já, é sempre crime grave, legalmente punível ou não, mas legitima e moralmente não passível de ficar sem punição severa, razão por que há que o subtrair à punição social. Essa é mesmo a observação e certeza mais críticas que se podem fazer aos defensores da eufemística IVG.
segunda-feira, outubro 16, 2006
755. A namorada do "noss’primêro"

Hoje de manhã, logo pela manhãzinha, ainda meio ensonado, ouvi uma notícia que me intrigou.
Nela se dava conta de que “Fernanda Câncio, namorada do primeiro-ministro”, fizera não sei o quê ou estivera não sei onde ou integrara alguma coisa. Bem, o motivo por que fiquei intrigado não foi o que a senhora Câncio fez ou onde esteve ou integrou.
Presumo que não deva ter sido nada de muito relevante ou de muito grave, porque, francamente, nem me apercebi bem do que terá sido. Ora, eu, embora distraído e sem muita pachorra já para as notícias pouco assisadas que pela Comunicação Social portuguesa proliferam, não sou dos mais distraídos e costumo reter as coisas, a menos que de todo não tenham qualquer relevância, sequer gravidade. No meu entendimento, claro está!
O que me intrigou foi o “apóstrofo ou continuado” atribuído à senhora. Efectivamente, tenho visto escrito ou ouvido dizer senhora de… mulher de… companheira de… ou, no masculino, marido de… companheiro de…, enfim, uma infinidade de designações mais ou menos eufemísticas, mas confesso que, a este nível, político-governamental, digamos, é que nunca tinha topado com tão juvenil e graciosa designação. Namorada de…
Até porque, as tropelias e ingenuidades de namorados casam bem melhor com tenras idades, se bem que as não isentem de umas quantas atrevidotas brejeirices exploratórias, por vãos de escada, jardins frondosos, prainhas mal vigiadas, casas dos pais quando eles estão para fora, etc., etc., etc.., enfim, coisas próprias daquelas idades.
Claro que eu sou um tipo já perto do termo de validade – se é que já não o ultrapassei mesmo – portanto desactualizado. No entanto, sempre pensei que essa coisa de namorada de ou namorado de era mais atribuível a teenagers, se bem que nem mesmo eles, os teenagers, queiram já ser namorados, mas tão somente "andantes", ou seja, eu ando com ou ela ando com...
Logo que ultrapassada a primeira vintena de anos de vida, as designações começavam a entrar por outros caminhos. Ora, embora não sabendo que idade tem a senhora (nem lho vou perguntar, evidentemente), pensei cá para comigo que, andando o noss’primêro aí pelos fifties, a senhora dificilmente será uma teenager, e certamente nem estará disposta a andar com.
Claro que qualquer um é designado como melhor lhe calha e ninguém tem nada que meter-se de permeio (salvo seja!), mas deixem-me cá estranhar um bocado, caramba! Afinal, àquela minha qualidade acima referida há que acrescentar a não despicienda circunstância de ser da província e pouco viajado.
Portanto, nada a opor. Quem quer ser namorada/o seja lá de quem for, tem todo o direito e ninguém tem nada que se meter no assunto. Adiante, pois. Para isso é que se diz que o rectângulo é país livre.
Tenho que confessar, porém, que, se por um lado fiquei muito aliviado pelo facto de o noss’primêro ter uma namorada (duas ou três até seria melhor...), por outro deu-me para me deixar invadir por uma angústia que muito me acabrunha.
O alívio deve-se, claro, à circunstância de avaliar que, com aquela idade (a do noss’primêro, claro!), não ter namorada será, com toda a certeza, coisa bem triste e traumatizante – eu, por exemplo, nessas circunstâncias, viveria absolutamente em pânico! - e quem é que quer ser governado por um primeiro-ministro traumatizado?...
Para além disso, que já não é pouco, o meu alívio fica a dever-se à esperança de que, tendo o noss’primêro namorada, sempre haverá bem melhores hipóteses de todos os momentos em que estiver com ela, certamente em ternos “oaristos de solteiros”, serão momentos em que poderemos respirar de alívio, ainda que momentâneo, pois que talvez não disponha de tempo – nem de vontade! – para nos… tramar. E, assim, sempre as “tramações” serão distribuídas um pouco mais equitativamente. Ora agora somos nós os tramados ora agora será a senhora.
A angústia, por seu turno, resulta, da análise das possibilidades, que se digladiam, de poder acontecer que a dita namorada do noss’primêro “canse-o” em demasia... ou não.
Se não, tudo bem.
Mas se “canse-o” mesmo? Como vamos nós viver com um primeiro-ministro derreado, desfalecido, amolecido mesmo, sem a tesura que um governante daquele nível tem que apresentar em qualquer momento, sem tergiversações, pois que é absolutamente imprescindível que esteja sempre erecto, pujante, vigoroso, pronto para novas arremetidas contra o buraco do déficit e outros malefícios ainda mais maléficos que nos atormentam?
Meu Deus! A gente vê-se metido em cada uma!…
…
domingo, outubro 15, 2006
754. 110 anos passaram e...
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [...]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [...]
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [...]
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas;
Dois partidos [...] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [...] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.
Texto obtido a partir da deferência de da Costa.
Isto, pois, em 1896.
Vislumbra, você que estas linhas lê, alguma dissimilitude com os tempos que correm, 110 anos que são passados?

sexta-feira, outubro 13, 2006
753. Debelada a 4ª crise em dez meses

Repare-se no diligente e eficaz ministro, sempre atento, espreitando o regresso da crise, para logo que ela assome à porta do país, correr a dar-lhe outra trancada valente. Ah! Ganda ministro, carago! Destes é que eu gosto!
O ministro da Economia, Manuel Pinho, anunciou hoje o fim da crise em Portugal e disse que a questão agora é a de saber "quanto é que a economia portuguesa vai crescer". (terá SExa dito "quanto" ou "quando"?...)
(...) Manuel Pinho disse que "a crise acabou" e que se vive "um ponto de viragem" (não sei se está a ver, mas a tal viragem é a da crise a iniciar o que será o quinto regresso...) na economia, porque "já não se fala em recessão e em investimento zero". (pois claro que não fala, que é para ver se a gente esquece e nem se apercebe do que por aí vem uma vez mais...)
(...) "Foram criados 48 mil empregos (pelo que só faltam 102 mil...), no último semestre (à velocidade da luz, portanto) a taxa de desemprego baixou dez por cento (de tal modo que temos que importar mão-de-obra, já que não temos mais braços para trabalhar... para vadiar, isso sim...), a economia está a crescer (de tal modo que faz até inveja às calças do Bill Clinton, sempre que a Monicazinha lhe entrava pelo gabinete ovalado...) e o défice das finanças públicas a caminho de ser controlado" (de tal forma que, vai não vai será superavit), afirmou o governante.
(...) Manuel Pinho ilustra com a terceira posição no quadro europeu (o que até nem é grande coisa, se atentarmos que no último Euro ficámos em segundo...) dos países cujas exportações mais cresceram no último semestre, logo a seguir à Alemanha e à Finlândia. (elas que se cuidem com este ministro)
O ministro sublinha que "há sinais (de fumo?) da confiança das empresas e de bom ambiente de negócios que atraem o investimento" (mas o ministro do Ambiente falou alguma coisa também?...) e, instado pelos jornalistas a comentar a possível construção de uma fábrica da IKEA em Paços de Ferreira, ironizou (ironia fina, diga-se):
"Foi considerada por Marques Mendes uma fantasia, como folclore e ideia de 'marketing'. Vamos esperar pelo que a empresa tem para anunciar para ver se as palavras de Marques Mendes se confirmam." (pois... esperar é o que temos feito e vamos ter que continuar a fazer. Que remédio! Até agora, porém, a única certeza é de que estes senhores têm sabido, como ninguém, entrar-nos nos bolsos. E é bom que o folclore do Massachusetts Institute of Tecnhology, vulgo MIT, não seja esquecido...)
Público
...
Enfim! Pinhadas!...
752. Os direitos dos doentes
Carta Europeia dos Direitos dos Utentes
1. Direito a Medidas Preventivas
segunda-feira, outubro 09, 2006
751. O assalto que não foi...

O tão noticiado e badalado assalto, seguido de sequestro de três ou quatro pessoas, numa agência bancária, situada na Avenida Rodrigues Manito, em Setúbal, não passou de um golpe, fraudulento como todos os golpes, sim, mas de génio. E de um valor publicitário inimaginável!
Não houve qualquer assalto nem sequer o mínimo sequestro.
O que se passou foi que o homem, possuindo um estabelecimento comercial, necessitava urgentemente de dinheiro para prover às necessidades do negócio.
À hora do almoço do dia do evento, ralado da vida, desesperado mesmo, calhou assistir um pouco ao que passava no televisor na sua frente.
E foi então que se lhe fez luz.
Precisando desesperadamente de dinheiro, não tendo pais ricos nem jogando na lotaria, seguiu o conselho que todos os dias é exaustivamente feito correr pelas estações de TV.
Ou seja, ele, sim, foi ao... BES!
Pois que mais poderia o homem fazer? E não é verdade que a atitude que tomou lhe estava ali mesmo à mão de semear, sendo instilada, de forma a penetrá-lo até aos mais recônditos recessos da sua torturada mente?
Postas as coisas en su sitio, cabe agora ao Banco em questão não só ressarcir o cidadão da lavagem ao cérebro que diariamente lhe vinha a ser feita, como ainda, remunerá-lo pela excelente peça de publicidade gratuita que à instituição bancária foi proporcionada.
Vamos lá, senhores, não sejam unhas de fome, como é habitual nesse sector, ok?
...
750. A solução socratiana

O noss' primêro discursando como só ele sabe
(vejam só a graciosidade com que ele põe os pontos nos ii...)
* * *
Sócrates e o seu excelso governo andam loucos por trazerem o país ao bom caminho, acabando com despesas supérfluas, racionalizando gastos até ao extremo.
Para o efeito, têm-se servido dos mais expeditos e variados meios, mas está-lhes faltando já o engenho para encontrarem mais fórmulas eficazes.
E é assim que têm subestimado o melhor, o mais radical de todos eles, o que resolverá o problema de uma vez por todas, sem necessidade de grandes trabalhos e canseiras e evitando os habituais alaridos contestários.
Como fazer? Fácil.
Encomenda e faz distribuir por cada reformado e aposentado e bem assim pelos desempregados e, já agora, por que não, pelos professores, médicos, enfermeiros, juízes, pais e mães de família, utentes de centros de saúde e mães de nascituros, sem esquecer, claro, a CGTP, está bem de ver, e outros que tais uma dose de estricnina da mais pura, administrada na sopa diária de cada um destes facínoras.
Em poucos meses, deixará de haver déficits, orçamentais ou outros, famílias endividadas e insolventes, empresas falidas e velhos alquebrados a darem tristes espectáculos por bancos decrépitos de jardins esqueléticos e outros locais do mesmo teor.
Passará, assim, Portugal, a ser um paraíso de gente jovem, bonita, de excelente apresentação, sã, escorreita, de corpo e espírito (a começar pelo nosso esbelto primêro, que a todos capitaneará, tá claro!), "limpo", final e definitivamente liberto dos ranhosos, trôpegos, gemebundos e ululantes do estilo habitual.
Serão, então, Sócrates, e o seu excelso governo os administradores do país mais avançado, bonito e estuante de vida do Universo conhecido.
Aqui fica, pois, deixada de graça, a receita para a solução fi..., perdão, ideal.
Que a aproveite expeditamente, é o que se deseja e espera. Ansiosamente, catarino!
...




