sábado, fevereiro 12, 2005
164. Assim falava Zaratustra
A terra está cheia de gente supérflua, a vida está corrompida por aqueles que estão a mais. Procuremos, pois, em nome da vida eterna, persuadi-los a deixarem esta vida.
(...)
Sobre os Pregadores da Morte, "Also sprach Zarathustra", Friedrich Nietzsche
163. Reflexão matinal... alheia (15)
sexta-feira, fevereiro 11, 2005
161. A propósito de eleições…
ATENÇÃO: Não o faça... NUNCA!
Há duas coisas que, em matéria eleitoral, nenhum eleitor deve fazer:
1. Abster-se;
2. Votar em branco.
Num país em que é extremamente difícil encontrar quem se disponha a preencher os lugares das mesas de voto, acontece com frequência (e com que frequência!…) que todos os membros da mesa sejam de uma só força partidária. Assim sendo, existe sempre a tentação de “dar um jeitinho” nos resultados.
Para quem, relativamente ao que digo no parágrafo anterior, é levado a contrapor que sempre lá estão os delegados de lista, desde já antecipo que essa coisa dos delegados não será falaciosa, mas para lá caminha. Porque eles pouco, verdadeiramente pouco, conseguem fiscalizar. E, mesmo assim, apenas quando lá aparecem.
Perante isto, votar em branco é o mesmo que "convidar" um qualquer - livre de um mínimo de fiscalização - a preencher como bem entenda o voto que V. deixou em branco. Coisa mais fácil de fazer não há. E você, queira ou não, votará em que não quer...
Um pouco menos fácil é pôr a votar quem não se apresentou na assembleia de voto, por se ter abstido. Mas também não se mostra muito difícil de conseguir, se os elementos da mesa forem todos do mesmo partido o que, repito, acontece com extrema frequência, muito maior do que V. certamente poderá supor.
Bastará que se descarregue, como tendo votado, o seu nome nos dois cadernos eleitorais que estão na mesa e, depois, se introduza na urna um voto que alguém se “encarregou” de preencher por si.
E lá estará V. a votar em que não quer, mesmo sem ter ido à assembleia de voto.
Cuidado, pois!
Só existe um modo de combater isto:
Consiste esse modo em
ir votar na candidatura que melhor o convenceu da seriedade das propostas que apresenta
ou,
não existindo nenhuma que o convença, pura e simplesmente anular o voto.
Para anular o voto, bastará que preencha todos os quadradinhos com uma cruz ou trace uma cruz a todo o tamanho do boletim de voto ou escreva no boletim uma quadra popular ou qualquer outra coisa que, não ofendendo as boas regras do melhor civismo, anule o voto, mostrando à evidência o seu descontentamento.
Qualquer destas posições é boa para o efeito pretendido. E justa. Deixar de ir votar ou deixar o boletim de voto em branco, é que já não é de bom aviso. Porque, em qualquer dos casos é dar a oportunidade a alguém – que V. nem sequer conhece e a quem, portanto, não passou qualquer tipo de procuração – de votar como se fosse V..
Aqui fica o aviso, pois.
Não pense que o que fica dito é mera historieta para entreter papalvos, porque o assunto é sério. Muito sério mesmo!
158. Quem, eu? Claro que acredito nas sondagens!
* Acredito na boa fé de quem encomenda as sondagens, porque me recuso a crer que a isso se disponha, apenas para que alguém lhe faça o frete de apresentar resultados que o encomendador possa utilizar fraudulentamente como material de campanha eleitoral
* Acredito na boa fé das empresas sondadoras, porque me recuso a crer que a grande maioria delas tenham nos seus quadros apenas vigaristas
* Acredito na boa fé de quem, no terreno, faz as perguntas, porque me recuso a crer que neste País só há aldrabões.
* Acredito na boa fé de toda a gente, porque me recuso a crer que Portugal esteja transformado num covil de patifes.
Mas, há sempre um mas…
* Já não acredito nos resultados publicados, porque me recuso a deixar que de mim façam lorpa.
* Já não acredito nas interpretações abusivas dos dados, porque me recuso a deixar que me enfiem o barrete e eu continue alegre e contente, como se em dia de ser condecorado por Jorge Sampaio.
* Já não acredito nisso tudo, porque me recuso a crer que o tempo do “cá vamos, cantando e rindo, levados, levados, sim…” não tenha terminado há já uns bons 30 anos….
Portanto e resumindo, acredito e não acredito.
Porquê, perguntará qualquer leitor comum (os restantes não contam para esta história…).
Muito simplesmente, porque acredito que as sondagens são feitas com lisura e não acredito que as interpretações dos dados através delas colhidos sejam correctas, isentas, despidas de manipulação.
E de onde poderá vir a manipulação? Muito simplesmente da distribuição dos eleitores consultados no decurso da sondagem e que se declararam indecisos.
Quanto a mim é aí que pode haver a maior das aldrabices. E, no entanto, ninguém pode ser chamado à pedra por realizá-la. Porque a análise é mera análise e todas as interpretações são possíveis. Trata-se de uma verdadeira hipocrisia, mas é assim mesmo.
Só vejo uma solução para que as coisas apareçam às luz da transparência e sem margem para dúvidas. Qual é ela? A de a lei apenas autorizar a publicação dos resultados brutos da sondagem, ou seja,
* que percentagem de eleitores foi consultada
e, a partir dos consultados,
* qual a percentagem dos que se disseram dispostos a ir votar
* qual a percentagem dos que se disseram dispostos a não votar
* qual a percentagem dos que declararam ir votar em A ou B ou C ou E, etc
* qual a percentagem dos que se declararam indecisos.
E nada mais do que isto. Porque a “distribuição” dos possíveis votos dos indecisos é que proporciona todas as maroscas, maroteiras e aldrabices.
É que, num universo de, por exemplo, 5.000.000 de eleitores, uma fatia de 30% de indecisos corresponde a 1.500.000 de eleitores. Fatia enorme, como se pode ver. E decisiva.
Se estes 1.500.000 não forem distribuídos com critérios sérios – e mesmo que o sejam, estarão sempre eivados de enorme aleatoriedade… - lá ficamos sob o jugo da mais indecente arbitrariedade, da mais pura aldrabice, com muita influência no eleitorado e, portanto, nos resultados finais das eleições, como qualquer pessoa medianamente inteligente percebe.
Por isso, defendo que se legisle sem demora, no sentido de que apenas possam ser publicados os resultados das pesquisas de campo, sem tratamentos “especiais” ou, quando muito, depois dessa publicação obrigatória, se dê a possibilidade de extrapolações para efeitos de projecção final.
Publicar resultados de sondagens políticas, sem esse cuidado, ou seja, deixando ao livre arbítrio dos órgãos da comunicação social a divulgação do que mais lhes interessa é que não pode continuar a permitir-se. Porque, aí, entramos noutro campo muito sensível e que em Portugal não tem sido cuidado, que é o de qualquer jornalista ou conjunto de jornalistas ou donos de jornais mal amanhados e ainda mais mal acabados, jamais eles próprios escrutinados, terem o poder de influenciar decisivamente o resultado de qualquer acto eleitoral.
Aliás, onde e quantas vezes já assistimos a isso?
Sabemos que, chegados os resultados eleitorais, que normalmente têm sido desanimadores para os “sondadores”, por via de regra aparece a desculpa de que os resultados não corresponderam às previsões das sondagens porque, entretanto, os eleitores mudaram de opinião, por vezes em pouquíssimas horas. Forma pouco simpática de se dizer que o eleitor é inconstante, catavento, não sabe bem o que quer.
Sabemos também que, nessas sondagens, são sempre o PSD e o CDS-PP que surgem subvalorizados de forma que, por vezes, roça o ridículo, como, nas legislativas de 2000, em que o último dobrou as previsões. Dobrou as previsões e “dobrou” os profetas, aliás…
É, pois, urgente, que se refaça a lei das sondagens e divulgação dos respectivos resultados. Não mais deve ser possível manter-se o actual status quo, que só indignifica a nossa Democracia.
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
157. Quosque tandem abutere patientia nostra?
Que será que provoca no incontornável José Pacheco Pereira - o campeão da zanga avec tout le monde - tantos nervos e tanta desorientação que, imagine-se!, até o levam a defender à outrance um homem que ele tanto abjurou em tempos, depois de o ter colocado em torre de marfim?
Além de incontornável, JPP é impagável. E inultrapassável.
Quosque tandem abutere, JPP, patientia nostra?...
155. Capazes de todas as artimanhas…
Eles são mesmo capazes de todas as artimanhas….
Se a simpática e deliciosa Simone fora convidada para um jantar com Santana Lopes, organizado por figuras da cultura, ontem, em plena campanha eleitoral, alguém acredita que a sua santíssima ingenuidade a levasse a supor que se trataria de uma reunião de amigos para amena cavaqueira e, talvez, uma partida de bridge no final?
Evidentemente que não.
Que os amigos políticos de Simone fossem capazes de lançar mão de todas as artimanhas e expedientes já cá se sabia. Têm-no feito a par e passo e tantas vezes que até já se lhe perdeu o conto. Agora que ela ao mesmo se prestasse é que, francamente, não se suspeitaria. E daí... É bem caso para dizer-se: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és…
E assim se criou mais um “facto”. Que objectivamente intenta provocar mais prejuízo a Santana Lopes.
Se a parte gaga que a “ingénua” nacional-cançonetista protagonizou já não bastasse, ei-la que, não satisfeita, não se limitou a sair calada, como mandaria o senso comum e o bom recato de pessoa que, como ela quis fazer passar, fora apanhada “à má fila” e se retirara com justa indignação por ter sido "enganada".
Não, claro que calada é que não podia ser. Porque a missão de que fora incumbida obrigava a que não se calasse. E ela a tudo se prestou, por cinco minutos de tempo de antena, vindo propalar aos quatro ventos e sete marés toda a sua incomodidade pelo "logro" em que caíra.
Peço desculpa, mas só me ocorre um termo: porcarias!
Claro que o assunto não é tão grave assim. Mas apenas porque a dona Simone de Oliveira não tem importância alguma, contrariamente ao que ela e os seus amigos políticos pensam. Mas revela muito da sua idiossincrasia. Que, aliás, também não constitui novidade para ninguém, porque dela tem dado abundantíssimas e sempre muito badaladas e estapafúrdias provas, que muito a credibilizam...
É bem verdade que cada qual come do que gosta. E muitos do que lhe dão à boca.
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
154. Late afternoon thought... (xlvi)
153. Carnavais e traições cavaquianos...
Aníbal Cavaco Silva vai manter silêncio até dia 20, data das eleições, mas ontem mostrou-se incomodado com a notícia do PÚBLICO que tinha por título "Cavaco aposta em maioria absoluta de Sócrates". O ex-primeiro-ministro não gostou que fosse recordado, nesta altura, que defende que o melhor para o país são executivos de maioria absoluta e que prevê que o PS possa vir a conseguir governar nessas condições. Não gostou também da leitura de que esse cenário será o mais favorável à sua candidatura presidencial (...)
O ex-líder do PSD considerou que a notícia podia servir para Santana se vitimizar e preocupou-se em que as rádios e as agência noticiosas passassem o "desmentido" antes do que estava anunciado como sendo a "comunicação do primeiro-ministro", marcada para as 15 horas. Como reconheceu ao PÚBLICO um colaborador do ex-primeiro-ministro aquilo é o que Cavaco pensa, mas não pode dizer porque o PSD não entenderia a sua posição. (...)
Público online, 2005 Fevereiro 09
Queira-se reconhecida como tal ou não, o certo e indesmentível é que esta é a real posição de Cavaco Silva sobre o actual momento político-eleitoral.
Quem não está esquecido de outros carnavais, vividos com o mesmo senhor, certamente que aqui percebe perfeitamente toda a jogada cavaquiana.
Repare-se nesta pérola de maquiavelismo - prêt-à-porter ou de poche, como se quiser - que, por isso mesmo, assenta mal a quem o enverga:
"O ex-líder do PSD considerou que a notícia podia servir para Santana se vitimizar e preocupou-se em que as rádios e a agência noticiosa passassem o "desmentido" antes do que estava anunciado como sendo a "comunicação do primeiro-ministro", marcada para as 15 horas. Como reconheceu ao PÚBLICO um colaborador do ex-primeiro-ministro aquilo é o que Cavaco pensa, mas não pode dizer porque o PSD não entenderia a sua posição."
E como é que poderia entender, não me dirá, sr. Aníbal?
Isto foi escrito pelos jornalistas, em alegada transcrição de palavras de um colaborador de Cavaco. No entanto, fácil é, para quem assistiu a outros carnavais, reconhecer a marca do "zorro", pelo que o que os jornalistas escrevem não é, desta vez, qualquer adulteração.
Cavaco é isto! Está transformado nisto! Não sei mesmo se Freitas do Amaral conseguiria atingir tal patamar de algo que me abstenho de classificar, por decoro social.
Se a cavaquiana figura não gosta de Santana Lopes, tudo bem, é lá consigo; se entende que ele não é o político social-democrata mais aconselhável para liderar um governo, está no seu direito. Mas, então, se assim é, por que razão quando teve oportunidade de o arredar da liderança do PSD - e aconteceu por mais de uma vez e para tal chegou a ser desafiado - não o fez, como, do seu ponto de vista, se impunha?
Na verdade, não o fez...
Nem sequer o tentou mesmo. Por falta de coragem? Porque só actua quando tem a certeza de que ganha? Porque é mais fácil criticar de fora, sem o ónus da actuação consequente, nos órgãos próprios? Sim, porque há órgãos e locais próprios para aquilo que Cavaco anda a fazer. Mas, para nesses órgãos e locais se actuar, é preciso primeiro assumir-se integralmente e à luz do dia. Não pela calada da noite, cosido com as paredes, quando todos os gatos são pardos.
Curiosamente, esteve mudo e sem mandar recados, enquanto as coisas corriam de feição a Sócrates e menos favoráveis a Santana Lopes. Logo que, passado o debate televisivo e os comícios de Castelo Branco, se viu que as coisas não seriam como esperavam - ele e os seus novos amigos - ei-lo que manda recados como o que vem de ver-se.
A atitude de Cavaco Silva é mais do que uma deslealdade para com Santana Lopes. Configura e consubstancia - o que é bem mais grave - uma inominável traição ao PSD - partido em relação ao qual não teve ainda o gesto que a qualquer cidadão inteiro se imporia, ou seja, dele se demitir - traição que é cometida em tempo de "guerra" com o exterior.
Repito, porém, o que já aqui disse:
Para quem, em 1995, no decurso da campanha eleitoral, em que o candidato a primeiro-ministro era Fernando Nogueira, pôde ver a forma de actuação cavaquiana, que tanto prejudicou um dos homens que mais o apoiou em 10 anos de governo e o próprio PSD, nada disto constitui surpresa. É, isso sim, uma revisitação ao passado de um político para quem os únicos valores que contam são os que pessoalmente lhe estão de feição.
Mas o principal objectivo por que age assim, neste momento, esse não o vai conseguir. Nem desta vez nem nunca. O sr. Aníbal tem vindo a assinar a sua sentença de morte presidencial e, desta vez, traçou o caracter final. Nunca lá chegará! Para sossego dos Portugueses.
Ao contrário do que Aníbal Cavaco supõe, après moi le déluge já deu o que tinha a dar e, para falar verdade, nunca deu coisa que se visse. Mas ele, sim, irá ver que, après lui, não virá dilúvio nenhum. Muito pelo contrário, virá a calmaria e o bom tempo. Porque ele está, objectivamente, a constituir-se o maior factor de inquietude no PSD e auxiliar precioso da débacle do País, no caso de os seus desígnios virem a concretizar-se.
O que felizmente não acontecerá. Porque neste mundo ainda há justiça.
terça-feira, fevereiro 08, 2005
152. Veritas Filia Temporis! Na verdade...
O Jacaré e a Lagartixa 17 - 29 Dezembro 2004 - in Veritas Filia Temporis, de JPP, mais extensamente José Pacheco Pereira.
* * *
Depois desta transcrição ipsis verbis, e porque sou assaltado pela memória de outras avisadas afirmações do prolixo, verborreico e inefável autor, permitam-me que me retire por momentos.
Entre outras coisas, depois de passar por divisão mais recatada cá de casa, irei dar sonora gargalhada na varanda. Só pode...
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
151. Late afternoon tought... (xlv)
150. José Pacheco Pereira no seu melhor...
09:26 (JPP) HÁ VIDA DEPOIS DE 20 DE FEVEREIRO (2): ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA
"Se tiver acima disto [dos resultados das europeias], com tudo o que se passou, dizerem que é uma derrota, acho que é interessante."
A colocação como meta eleitoral do PSD de um resultado acima do que é presumido ter sido o das europeias é um absurdo que não pode ser tomado a sério. Aliás foi apresentado contraditoriamente com o objectivo de ganhar as eleições de 2005, na mesma entrevista. Esta maneira de falar que dá para tudo, é habitual. Só daquela voz é que podia vir ao mesmo tempo a intenção de ter mais de 40% e mais de 29% dos votos ao mesmo tempo.Plano pessoal A e plano pessoal B. O que conta verdadeiramente é o B.A desonestidade intelectual e política é que todos os dirigentes do PSD em Junho de 2004, incluindo Santana Lopes e Durão Barroso, recusaram liminarmente uma interpretação nacional dos resultados das europeias. Não é verdade que Santana Lopes tenha recebido o partido com os resultados das europeias, recebeu-o e terá que prestar contas pelo resultado das legislativas de 2002, um partido no poder a governar, que ele alegremente destruiu em quatro meses. Barroso tem responsabilidades no que aconteceu, mas com ele nunca aconteceria o mesmo. Acresce que o objectivo que foi prometido e reiteradamente prometido ao partido por Santana Lopes, afirmado no Conselho Nacional, na Comissão Política, em público e em privado, foi sempre uma vitória e uma vitória era (e é) o PSD ganhar as eleições. E também não é ficar o PS sem maioria absoluta, porque isso também é desculpa de mau pagador. Com Santana Lopes e a sua jactância eleitoral, ou ganha ou perde. O resto são já estratégias de sobrevivência de quem se prepara para não assumir qualquer responsabilidade do que se passou e quer enterrar o PSD ainda mais fundo.
* * *
Sócrates pode dispensar de vez Nelsons Athaídes e outros que tais. Porque José Pacheco Pereira é o publicitário de serviço, ao serviço do PS.
Só que o ódio é tal que o cega, o que não será bom para quem pretende apresentar resultados. Tanto ódio destila que corre o risco de cair em total descrédito e, com isso, apenas prejudicar o cliente.
Imagine-se que, desta vez, veio inventar que "A colocação como meta eleitoral do PSD de um resultado acima do que é presumido ter sido o das europeias é um absurdo que não pode ser tomado a sério". Ora, este arrazoado e tudo o que se lhe segue, daqui decorrente, não passa de perfeito dislate e chega a conclusões completamente erradas, porque parte de uma premissa propositadamente deturpada. É que a meta eleitoral do PSD nunca foi colocada por Santana Lopes, nem por ninguém no PSD, n"um resultado acima do que é presumido ter sido o das europeias. Foi, pelo contrário, sempre acentuada, isso sim, numa vitória eleitoral do PSD. Santana Lopes teve mesmo o cuidado de afirmar que tudo o que não seja uma vitória eleitoral do PSD é mau resultado. Ainda a 6 e a 7 de Fevereiro o reafirmou sem margem para dúvidas. Mas, mesmo que assim não fosse, abusiva é a interpretação de José Pacheco Pereira da frase "Se tiver acima disto [dos resultados das europeias], com tudo o que se passou, dizerem que é uma derrota, acho que é interessante.", que Santana Lopes referiu en passant e em jeito de comentário bem humorado a tal asserção, mas que a sanha de JPP não lhe deixou ver que o fora.
Se esta sanha, este ódio contra Santana Lopes fosse caso virgem, com maior ou menor dificuldade sempre se poderia dar um desconto. Infelicidades destas todos temos... No caso de José Pacheco Pereira, contudo, a atitude é recorrente. Ele ataca tudo e todos, da ponta esquerda à ponta direita, cegamente. E fá-lo, apenas porque, na alta torre de marfim - a que motu proprio se alçapremou - ninguém que não ele próprio, o supra-sumo da política portuguesa, o mais chato, improdutivo, convencido e inconsequente dos políticos que alguma vez pisou terra lusa, cabe. Imaginem que consegue bater José Magalhães!!! E por margem que não deixa dúvidas!!!...
José Pacheco Pereira denota uma tremenda dificuldade, qual seja a de introspectivar. Não fora essa sua debilidade nata, há muito que teria visto que frequentemente se mete a ridículo aos olhos do país inteiro. E, tendo-o visto, há muito igualmente que teria arrepiado caminho, sem necessitar de deixar de ser quem é, apenas corrigindo coisas que todos, de gingeira, já descobrimos que lhe ressaltam de convicções sem nexo e menos razão, desprovidas do mais pífio dos sustentáculos. E que, como é sabido, lhe ficam mal. É que se se tratasse de um génio, ainda se lhe daria uma desculpa. Os génios têm debilidades, próprias da sua condição de génios. Mas, infelizmente, JPP não é nada disso. Muito pelo contrário. Está bem mais próximo do maldizente de profissão, a quem a invídia muito parece guiar os passos.
Por outro lado, o que deixa perplexa a generalidade dos observadores é verificarem que, face às atitudes que toma - em relação ao partido em que está inscrito e aos seus pares - não assuma a mais coerente de todas, que é a de pegar nos tarecos e ir-se para outra freguesia. Essa, sim, era de homem! Porque criticar sem tento tudo e todos no PSD, é estar contra o que o PSD, com as suas forças e as suas fraquezas, representa. E, assim sendo, não ir embora, é o cúmulo da incongruência. Transformar ele, José Pacheco Pereira de seu nome - por incapacidade de tomada de uma única decisão coerente - o PSD em albergue espanhol é que não está certo.
Tudo isto, muito embora JPP desde há muito tenha esgotado a capacidade de surpreender-se que qualquer cidadão comum transporta consigo ab initio. Razão por que o que José Pacheco Pereira diz conta pouco, muito pouco mesmo, para o resultado final seja do que for.
sexta-feira, janeiro 21, 2005
149. Felizmente para ele, o ridículo não mata...
Palavras mais ou menos textuais do conspirativo Francisco Louçã, dirigindo-se a Paulo Portas, no debate em que se defrontaram ontem, na SIC.
Cada vez mais nonsense, este Louçã é quebradiça louça, aliás. E, quando julgamos que atingiu já o limite do ridículo, ei-lo que surge, impante, pesporrente, inefável como sempre, com nova pérola argumentativa.
Mais ridículo do que este, só o outro que, aqui há cerca de nove anos atrás, apresentava como razão decisiva para ser eleito PR, em detrimento do adversário, o facto de falar melhor inglês do que ele!
A sinistra festiva que temos consegue sempre ultrapassar-se no refinamento da abstrusa potência argumentativa que exibe.
A sorte deles é que o ridículo não mata! Deles... e nossa... Se os matasse, com o que é que a gente se divertia depois?
quarta-feira, janeiro 19, 2005
148. Late afternoon thought... (xliv)
147. oh my goodness! Haverá espelho para tal facies?...
Jornal 24Horas, hoje
segunda-feira, novembro 01, 2004
145. Late afternoon thought... ( xliii )
144. Ausente por cerca de um mês
Pois bem, é o que vou fazer, a partir da próxima madrugada.
Depois contarei.
Não sairei porém, sem que antes aqui deixe mais um motivo para reflexão. No post seguinte, "Late..."
Até a próxima.
quinta-feira, outubro 28, 2004
segunda-feira, outubro 25, 2004
142. "A política: essa grande porca"
(a) ruvasa 2004 - Click na imagem, para ampliar
A apresentação da obra será da responsabilidade do Dr. José Pinheiro da Silva, ex-Secretário Provincial de Educação de Angola e Professor Assistente da Universidade de Luanda.
Os exemplares do livro serão acompanhados de um folheto comentário-crítica da autoria do General Galvão de Melo, intitulado “Grito d’Alma”.
Na ocasião e a solicitação dos interessados, o autor autografará exemplares do volume.
“A política: essa grande porca”, evidencia de forma iniludível que o autor, actualmente com cerca de 89 anos de idade, nada perdeu da sua conhecida e extraordinária firmeza de carácter e combatividade e bem assim do profundo conhecimento das realidades económica e política do nosso País.
Na verdade, nas várias peças que compõem a obra que agora dá à estampa e que dela fazem um todo homogéneo, extremamente lúcido e certamente incómodo para algumas mentes e personalidades, cuja actuação não terá sido sempre a mais razoável - linear, direi mesmo -, João Costa Figueira analisa à lupa inúmeras vertentes de um período relativamente recente e muito decisivo da História comum dos portugueses, para o que teve o cuidado de se socorrer de argumentação muito dificilmente rebatível, porque alicerçada em factos, números e dados oficiais e em situações absolutamente indesmentíveis, não escamoteáveis.
Mas não se fica por aqui.
Efectivamente, à luz do que nos traz, é possível a muitos de nós revivermos e a outros tantos por primeira vez tomarem conhecimento de pessoas e respectivos actos, decisivamente determinantes da nossa vida colectiva das décadas mais recentes, com inevitáveis reflexos no futuro.
Como todas as obras do género, decerto que conterá pontos de vista passíveis de contradita. Daí, também, o grande mérito da publicação. Porque, como é sabido, só através do binómio argumentação-réplica é possível uma aproximação segura e não distorcida da verdade simples e escorreita das coisas.
Por todos estes motivos, mas igualmente porque se trata de documento histórico de valor incalculável, escrito por alguém cujo estádio de vida o põe a salvo de qualquer intenção que não a da procura da verdade pela verdade, através da exposição, frontal e sem tergiversações ou sofismas, dos pontos de vista defendidos, vivamente recomendo a sua leitura.
sexta-feira, outubro 15, 2004
141. Late afternoon thought... ( xli )
terça-feira, outubro 12, 2004
140. O comentador do "mardi gras"
Anote-se, por favor, sem falta:
- Fiquei com a impressão de que...!
Ora, aí está! Acaba de nascer mais um humorista. Este, de terça feira...
Não satisfeito, porém, com esta verdadeira masterpiece do impressionismo, capaz mesmo de, de uma assentada, esverdear de invídia Renoir, Manet e Degas, logo acrescentou que não seguira as pisadas do ex-futuro-guru, por duas razões que ali de imediato esparramou:
1. Marcelo não se teria conduzido à altura da situação, uma vez que se mostrara incapaz de fornecer explicações que se impunham e que constituíam seu dever;
2. Se ele, Miguel de Sousa Tavares, se fosse embora da TVI, o Governo deixaria de ali ser criticado. (Assim a modos de um Louis XIV de vigésima quinta hora: après moi, le déluge... Ataca muito certas mentes este sintoma!).
A partir destas premissas realiza-se que:
1. Miguel de Sousa Tavares está de cama e pucarinho (salvo seja!) com Mário Soares. Também ele, pelos vistos, se terá apercebido da cobardia de Marcelo de que Soares falou abertamente, sem disfarces, na SIC. (Os ataques e as pressões a que Marcelo se sujeitou já, ainda a procissão vai no adro!... E, surprise!, ataques e pressões que não vêm do Governo…)
2. Miguel Sousa Tavares, o “comentador” da terça feira, senta-se ali, junto de Moura Guedes, não para comentar ou fazer análise, mas sim, como publicamente reconheceu o próprio, para atacar o Governo.
Estamos, pois, a partir de agora, autorizados a considerar que o faz no âmbito de uma acção de autêntico proselitismo político e sem passar por qualquer escrutínio democrático. Abusivamente, como se constata, portanto. Aliás, como tantos comissários políticos disfarçados de jornalistas ou comentadores ou analistas ou lá o que se intitulam, que na Comunicação Social infiltrados abundam et nocent.
Não restam dúvidas. Miguel Sousa Tavares está na mesma. Só que mais velho… cronologicamente falando.
domingo, outubro 10, 2004
139. Se o ridículo matasse...
A crer nas doutas teorias extensamente expostas pelos "amigos" do actual governo, este inaugurou, com o não-caso Marcelo, uma muito peculiar forma de ressuscitação da abolida censura, pura e dura. Consiste ela em começar por meter a boca no trombone e atroar os quatro ventos com umas quantas coisas, mal alinhavadas ainda por cima, dando a ideia de que o governo está muito zangado com determinados comentários incómodos e, assim, se prepara para actuar em conformidade.
E em que consiste essa actuação em conformidade? Pois bem, no seguinte: após aquela publicitação urbi et orbe, nos bastidores, assolapadamente, pressionar pessoas, empresas e tutti quanti no sentido de que despeçam - com indemnização? sem ela? - vozes incómodas.
O estratego desta política de primeiríssima água será o ministro dos assuntos parlamentares, Rui Gomes da Silva, de sua graça.
Se me é permitido, peço a vocências que autorizem a que me ausente por uns instantes, a fim de ir lá dentro soltar uma sonora gargalhada. Um momento, pois, por favor. É só um instantinho.
( ... )
Acabado de regressar do desopilante momento, seja-me permitido realçar que as mentes congeminadoras daquelas excelentes teorias forneceram, só por isso, o mais valioso, único mesmo, alibi de que o governo dispõe para que não possa, em tribunal que se preze, ser condenado daquilo de que vem acusado.
Assim, em nome do povo, ego te absolvo, ineptus praetor!
Postas as coisas nestes termos, também eu, como há milénios atrás outros antes de mim fizeram, pergunto:
- Cui prodest?
E, vindo lá de longe, do alto da montanha mais remota da Old Albion, chega-nos, num fiozinho de voz, quase inaudível, um sussurro que eu sou levado a jurar a pés juntos ser de um velhinho, muito velhinho, e talvez por isso mesmo, muito sagaz, murmurando:
- Oh, my goodness! How much ridiculous they are!...
138. Señora de Guadalupe
137. Late afternoon thought... ( xl )
136. Os "blogueiros" do exame prévio...
Que gozo me dão tais leituras, creia-se!
Imagine-se que, de quem assim fala ex cathedra, afinal nem simples balls se descortinam que os encoragem a nos seus blogs conferirem a quem os lê a possibilidade de lá deixar comentários livres do execrando exame prévio, abolido há trinta anos em Portugal, mas não de todas as capelinhas, tanto quanto é dado constatar!
Não. Parecem intelectualmente inábeis o quanto baste para que se apercebam de que a triagem a que intendentemente se entregam os menoriza e lhes retira a generalidade dos argumentos que diariamente esgrimem por tudo quanto é palanque de feira ou similar. Porque não joga a bota com a perdigota. É assim como que o Tomás pregador em pegado conflito permanente com o Tomás feitor.
Escrevem e falam, falam e escrevem, peroram afinal, do que não sabem por não conhecerem nem cumprirem de conhecer.
Como diria a fadista, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto…
Está visto!
Há dias em que, observando coisas destas, me surpreendo; dias há em que, observando destas coisas, me envergonho… Muito.
sexta-feira, outubro 08, 2004
135. O balão esvaziou...
Faltou-lhe o ar.
Asfixiou quem o ofereceu para que a festa se fizesse e quem o recebeu para que a festa fizesse.
A festa que se preparava, acabou antes mesmo de começar.
O balão? Esse está inglória e definitivamente murcho. Mole. Impotente. Sem préstimo.
R.I.P.




