Lhatse, Planalto tibetano
(c) Isabel Valle Santos - Click na foto, para ampliarAqui se vão deixando pensamentos e comentários, impressões e sensações, alegrias e tristezas, desânimos e esperanças, vida enfim!... E assim se vai confirmando que o Homem é, a jusante da circunstância que o envolve, produto de si próprio - 23.07.2004
O desértico planalto tibetano
(c) Isabel Valle Santos Out2005 - Click na foto, para ampliar
Zanghmu
(c) Ruvasa Out2005 - Click na foto, para ampliarNa verdade, errou-se quando, no post “Autarquias em Setúbal – outdoors e outras coisas” , de 20 de Julho passado, foi afirmado que, pelos cartazes, parecia que o candidato almejava ao cargo de comandante da PSP local.
Novo erro quando, em 3 de Agosto seguinte, no post “Alguém anda a boicotar…” , foi dito que, afinal, parecia que o que pretendia era comandar a polícia municipal.
Uma vez mais erro se verificou, quando se alertou para a circunstância de os cartazes e as promessas/não promessas/mas afinal promessas/talvez não prometidas neles contidas apontavam para um concurso a governo do país.
E porquê tantos erros? Porque, no fim de contas, não havia mesmo qualquer hipótese de não se errar.
Pois quem é que iria lá adivinhar que o candidato estava, afinal, a tentar alcandorar-se à cadeira, não já de Pedro, o pescador, mas à do próprio Deus?!
Sim, leu bem, amigo. Do próprio Deus!
Porque só Deus é omnipresente e, mais do que isso, omnipotente. E, nessas condições, só Ele pode efectivamente velar por que o mar continue rico, nunca deixe de ser rico, volte a sê-lo, se tiver deixado de o ser. Apenas Deus, através de Seu Filho, foi capaz de multiplicar os pães e os peixes, para alimentar os famintos seguidores. Mas Deus fê-lo porque era – e é – omnipotente! E único!
Pelos vistos, até ao presente! Porque agora haverá um candidato a presidente de câmara municipal – não a primeiro ministro, não a biólogo-chefe marinho nem a algo semelhante – que promete/não promete/talvez prometa (o quid pro quod abundat et nocet), repovoar o mar da sua riqueza natural e mais evidente, os peixinhos, está bem de ver.
Apenas esta intenção se pode inferir do conteúdo do cartaz. Se o que ele significa não é isto, então, nada significa. Será, apenas e tão só, um alinhamento de palavras ocas, sem nexo de causalidade, sem qualquer propósito definido. Um absurdo completo, um zero absoluto. Nihil!
Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, que não seja aparência e equívoco.
Repito: alguém no staff anda a boicotar a campanha do candidato. Ou, então, alguém conta com a pouca inteligência do eleitor setubalense! Não se quer acreditar em tal.
* * *
Nem tudo, porém, é pouco avisado e sem conteúdo na campanha do candidato Negrão.
A campanha de cartazes (para lá do seu conteúdo, que já foi tratado ex abundante, muito embora muito mais houvesse para dizer) é um espavento. Coisa de maravilhar o gentio!
A enormidade do número de cartazes diferentes já afixados – em que o colgatiano candidato se mostra a sorrir-nos, prazenteiro – não tem paralelo nos concorrentes. Todos. E é de deixar absolutamente estupefacto qualquer observador! Tanto mais, quanto se sabe o custa de cada cartaz semelhante.
Fernando Negrão apareceu já em cerca de 15 cartazes de diferentes concepções e promessas/não promessas/talvez promessas. Enquanto isso, os concorrentes não conseguiram ir além de sensivelmente 1/3 desse número. Os mais afortunados, que os restantes nem isso.
Trata-se, pois, de uma candidatura com evidentes sinais de abundância, circunstância sempre de enaltecer, principalmente em tempo de vacas magras como o que atravessamos. Por outro lado, tem outras características que não serão de somenos:
• evidenciam que, efectivamente, não é candidatura do PSD (pelo que se justifica o apagamento deste…). É que o PSD setubalense nunca dispôs, não dispõe nem parece que alguma vez venha a dispor de tão ostensivos meios de fortuna. O partido, cá por estes lados, foi sempre muito remediado, a contar cada tostão e a recorrer aos militantes para pagar algumas contas, até mexerucas. Sim, pobrete, mas alegrete e… bem vivete!
• Demonstram que o dinheiro gasto (vão ter que ser prestadas contas, lá mais para o fim da festa) não o foi em jantaradas ou outras aventuras desgarradas e talvez mal pagas, mas sim e estrictamente no interesse da campanha, em cartazes pouco felizes, mas bem intencionados e ali à vista de todos.
Nota final:
Pena foi que o Partido Social Democrata de Setúbal não tivesse apresentado candidatura à presidência da Câmara Municipal. Crê-se que é a primeira vez que tal sucede e, embora se desculpando que não o tenha feito nesta oportunidade, para não atrapalhar a candidatura de Fernando Negrão, espera-se que seja a última vez que tal se verifica. É que os partidos constituem-se para fazer política e concorrer a cargos políticos. Aceita-se que, com eles, concorram cidadãos isolados. O que já é muito difícil de aceitar é que os partidos se demitam das suas responsablidades, em favor de meros cidadãos desenquadrados. Homens providência? Yo creo en ellos, si, pero que nos los hay, no los hay! Ai... ai...
Ámen!
...
...
Que mal teria feito o PSD ao candidato ou ao respectivo staff, para que tanto o queiram descolorir, apequenar, apagar talvez?
Jamais passou pela cabeça de alguém com um mínimo de “social-democracia” genuína “apagar” o partido de modo tão evidente!
É que nem se justifica, ainda que seja “para ganhar Setúbal” e não “para que Setúbal ganhe”, como, aliás, deveria acontecer.
Sofrerá o PSD de qualquer maleita, qual sarna, sendo necessário disfarçar a sua existência para que os eleitores não se assustem e debandem?
E, se assim é, quem inventou tão iluminada teoria? Certamente que não foi um social-democrata. Certamente que não foi um amigo do PSD.
Poderá, quando muito, ter sido alguém a quem o PSD faz jeito para algumas coisas, tal como o primo lélé da cuca da família, que é muito bom para carregar as mobílias nas poderosas espáduas, mas, se e quando aparece alguém de fora, é pressurosamente fechado no saguão, de boca selada, para que as visitas nem sequer suspeitem da presença de tal inconveniência e não fujam assustadas… para não mais voltarem.
Pois… Ao que chegaste, PSD setubalense!
…
Só assim se compreende que o “espírito” que presidiu à terceira série de cartazes – que se julgaria que iria melhorar em relação às anteriores, dado que, por norma, com os erros se aprende – se tenha mantido inamovível, autista, na linha das antecedentes.
Através dela e mais precisamente do cartaz acima, se constata que o candidato prossegue a sua saga na convicção de que estará a candidatar-se a primeiro-ministro para… governar, pois então!
Já as questões do “cartão do idoso” e da “promoção do emprego” haviam feito suspeitar de que esse era o objectivo perseguido. Confirma-se. Ainda ninguém desfez o engano em que se anda mergulhado.
Sabe-se o que o termo governar significa. Quanto a isso, não há dúvida. Mas, na língua portuguesa – como nas outras, aliás – as palavras assumem quantas vezes significados muito próprios, consoante a área em que se movem o emissor e o receptor das mensagens.
Assim, a nível eleitoral, é ponto assente que só governos… governam. Misturar “alhos” com “bugalhos”, para além de descuido, que não se pode ter em política, só pode significar que se pretende confundir ou… que se está confuso, muito confuso.
Por sua vez, o “Vota Fernando Negrão...................vota PSD” é um verdadeiro achado e diz muito acerca da candidatura e de quem manda em quê e em quem!
Quem diria que o PSD, partido sempre rebelde e, mais precisamente em Setúbal, habituado a todas as resistências, arrostando com as dificuldades inenarráveis de antanho, guerreiro destemido de tantas lutas e obstáculos imensos, batalhas que caldeiam as indómitas vontades, amoleceria de tal forma, caindo aos pés do e rendendo-se sem condições ao primeiro que lhe falasse um pouco mais empolado, apenas pela mirífica hipótese de arrecadar uns tantos votos mais!
Pelos vistos, nem só por dinheiro se pode perder a alma. Por uma problemática hipótese de um punhado de votos também.
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(c) Ruvasa 2005 - Click na foto, para ampliar
Santo Estêvão
Sim, foi aqui que esta minha aventurosa passagem por este vale teve começo, há mais de seis décadas. A casa em que nasci (infelizmente já não é nossa, mas está entregue em boas e cuidadosas mãos) e a capela do baptismo. Sim, que não sou nenhum ímpio!...
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