quinta-feira, dezembro 15, 2005

616. As "comboiadas" continuam...

Ora, vamos lá a fazer contas, para melhor percebermos essa coisa do socrático TGV

tgv.jpg Posted by Picasa

1. Segundo preconizavam os governantes portugueses, a linha Lisboa-Madrid teria um movimento anual, nos dois sentidos, de 5.000.000 de passageiros (cinco milhões, ou seja, metade da população do país).

Vejamos, então:

5.000.000 : 365 dias de ano = cerca de 13.700 passageiros/dia, incluindo fins de semana

Depois, alertados por alguém mais atento às realidades, lá rectificaram a coisa para 2.500.000. Mesmo assim, façamos novas contas:

2.500.000 : 365 dias de ano = cerca de 6.850 passageiros/dia, igualmente incluindo fins de semana.

O amigo leitor, que não é lorpa, nem analfabeto nem tão pouco dado a libações que o deixem completamente idiotizado, o que é que acha? Estão a gozar consigo, não?

Será que é lúcido pensar-se que o equivalente a metade da populaçãp portuguesa, incluindo a das Regiões Autónomas, levará o ano a passear de TGV entre Lisboa e Madrid? A fazer o quê?

2. Segundo os planos arquitectados, a ligação Lisboa-Porto e vice-versa será feita 20 vezes por dia.

Vamos lá a mais umas contitas:

Partamos do princípio de que cada composição leva 600 pessoas (o que até nem é muito…).

600 pessoas x 20 ligações = 12.000 passageiros/dia
12.000 x 30 dias = 360.000 passageiros/mês
360.000 x 12 = 4.320.000 passageiros/ano

Ou seja, cerca de metade da população portuguesa andará todo o ano a passear de TGV entre Lisboa e Porto! A fazer o quê?

O amigo leitor, que não é lorpa, nem analfabeto nem tão pouco dado a libações que o deixem completamente idiotizado, o que é que acha? Estão a gozar consigo, não?

Há mais:

Se 5.000.000 (cinco milhões) de nós andam todo o ano a passear entre Lisboa e Madrid e outros 4.320.000 (quatro milhões e trezentos e vinte mil) ao mesmo tempo e durante o mesmo prazo a fazer o mesmo entre Lisboa e o Porto, parece legítimo que se pergunte:

- E, entretanto, quem é que está a trabalhar?

Sim, porque 5.000.000 para um lado e 4.320.000 para outro dá 9.320.000.

Ora, segundo o último censo, somos 10.300.000 (dez milhõ
es e trezentos mil), pelo que apenas ficam de fora das socráticas comboiadas 970.000 portuguesitos, que serão quem estará a trabalhar para que os outros possam andar na boa vai ela.

Ora, 970.000 a trabalharem para 9.320.000, ou seja, em proporção 1 a trabalhar para cada 10, dá barraca, como se sabe. Foi quase assim que chegámos ao que chegámos. Ou não foi?!

* * *

Outra singularidade curiosa:

Para quando está previsto início do funcionamento do TVG? Para daqui a 7 ou 8 anos, não é assim?

Mas que extraordinária capacidade de gestão esta dos nossos iluminados gestores-governantes que até já fixaram o preço dos bilhetes, tanto para o trajecto Lisboa-Porto e vice-versa, como para Lisboa-Madrid!!!

Oitenta euros no primeiro caso e duzentos euros no segundo.

Que categoria de gestão, que imensa sabedoria. A oito anos do evento, sabem já o custo dos bilhetes, haja, ou não, subidas ou descidas do preço da electricidade e do petróleo e do… e do… e do…

O amigo leitor, que não é lorpa, nem analfabeto nem tão pouco dado a libações que o deixem completamente idiotizado, o que é que acha? Estão a gozar consigo, não?

Para além disso, atente-se ainda mais nesta circunstância:

Quando o TGV estiver pronto, será que haverá 4.320.000 portuguesitos valentes em condições de pagar 80 euros, ou seja, 16 contitos por uma viagenzita Lisboa Porto?

Haverá mesmo?

Ai, abençoado sejas tu, mê rico Sócrates!... Uma dessas é muito melhor do que o bacalhau a pataco da 1ª república. É um verdadeiro e emocionante portuga in motion no socrático consulado!...

Tem dó. E não queiras fazer de nós mais ceguinhos e cretinos do que alguns já somos, ok? Porra, que assim não vale!... É demais!

2 comentários:

Sulista disse...

...impressionante este post...Porra digo eu! ;-)

Adorei lê-lo Ruben.

Outro beijinho

marco valle santos disse...

Pior estou eu caro tio, que morando no Algarve e não tendo usufruto de tais «progressices» também vou ter de as pagar.