domingo, agosto 21, 2005

539. Três semanas depois o homem apareceu…

Três semanas depois o homem apareceu onde devia ter estado três semanas antes, duas semanas antes, uma semana antes, tanto tempo antes.

Mas nessa altura não podia, porque estava muito ocupado com os leõezinhos quenianos.

E que veio ele, o "nosso primeiro", dizer?

Que vinha dar uma palavrinha aos bombeiros, que tinham sido uns heróis e tinham desempenhado muito bem a sua missão.

Estamos de acordo. Ele e eu. Os bombeiros e as populações desempenharam muito bem as suas missões.

Pena foi que nem toda a gente tivesse procedido desse modo responsável. A começar por ele próprio, que foi quem menos cumpriu.


Porque estava cansado, ao fim de 4-meses-4 de governo, teve que ir descansar lá fora. E se os bombeiros, com muito mais razão para estarem estafados, seguissem tão nobre exemplo e tivessem ido de férias também? Mas não, os bombeiros, por muito cansados que estejam, por muito abalados que estejam com a morte de colegas, no desempenho das suas missões, não foram nem vão de férias, ao fim de 4-meses-4 de trabalho. Não abandonam os seus postos. Mantêm-se neles a pé firme. Até cairem.

Disse também que ontem foi o dia das grandes aflições e em que os bombeiros não conseguiram debelar a enorme quantidade de fogos.

Uma tal afirmação revela que quem a faz não sabe do que está a falar. Mas o nosso primeiro tem desculpa para dizer coisas assombrosas como esta. Ele não estava cá antes. Portanto, não podia saber que o que estava a dizer não passava de uma desajeitada e infeliz boutade. Se cá tivesse estado, como era seu dever, teria sabido que o que disse não tem senso e mais parece uma brincadeira de mau gosto para com os bombeiros e, principalmente, para com as populações que tanto têm sofrido com este terrorismo.

Finalmente, disse que o que tinha ali ido fazer (à Pampilhosa da Serra), era dar uma palavrinha aos bombeiros. Para as populações… nada.

Para ele, para o “primeiro” que nos calhou em sorte, as populações não contam, as populações que ficaram sem haveres, que passaram por tremendas horas de angústia e perigo, a que todos assistimos, menos o “primeiro” que nos saiu na rifa, porque andava a safariar leõezinhos no Quénia, esses não contam nem merecem uma palavrinha.

A isto chegámos. É a isto que estamos entregues.

...

5 comentários:

marco valle santos disse...

Bem o homem é um snob e não há muito a dizer.
Deixar as férias por causa da plebe, uns miseros campónios , deixa-os assar até acabarem as férias.

Daniel Geraldes disse...

E la vamos vivendo ao som desta sua musica.

Marga disse...

O comportamento do nosso 1º ministro é inqualificável. Afinal como ele disse ontem, a área ardida ainda não atingiu a que ardeu no ano passado. Por isso está tudo bem e não se passa nada.
Nada como escondermos a cabeça na areia.
Quanto à sua estada de duas semanas no Quénia ela estava devidamente autorizada pelo ministro António Costa. O 1º ministro até lhe telefonou pelo menos duas vezes e este aconselhou-o e ficar por lá pois estava tudo sobre controlo e ele nada adiantaria.
Afinal os bens que estavam a arder não eram dele mas de uns pobres coitados que nada têm e esses não têm importancia nenhuma.
Bom, é o país que temos e os politicos que merecemos.

Açacalar disse...

Caro Ruvasa:
Mais grave foi o que eu ouvi ao nosso "primeiro" na segunda-feira em Coimbra: "infelizmente os prejuizos ainda não chegaram a 6% do PIB"... aquele que nos saiu na rifa, afirmou isto mesmo à porta do Gov. Civil de Coimbra. Claro que se subentende que com prejuizos acima de 6% do PIB já poderão vir uns $ da UE, mas numa altura como esta ouvir o cavalheiro a pedir mais uns fogositos é demais para mim! Quero emigrar!!

Isabel-F. disse...

Oi Ruben....

É a sorte que merecemos...

Bjs