quarta-feira, agosto 31, 2005

543. Não há quem os bata…

O discurso de Manuel Alegre ontem, em Viseu, veio evidenciar, se tal ainda fosse necessário, que, em questão de incongruência, não há quem bata os socialistas. De todos os matizes.

Na verdade, só eles, como Mário Soares, são capazes de dizer e de fazer hoje o contrário do que repudiaram ontem e, não obstante isso, continuarem a mostrar-se aos gentios com o mesmo facies risonho e descontraído.

Mas, relativamente a Soares, a surpresa, se a houvesse, nem seria muita, já que o homem foi assim toda a vida. Pelo menos, desde que, a partir de 1974, melhor o conhecemos. Soares foi sempre o político mais descarado e ziguezagueante que Portugal alguma vez teve, pelo menos tanto quanto consta dos anais da nossa História

Na verdade, quem se não eles seria capaz de, como Manuel Alegre, o homem frontal e directo e de antes quebrar do que torcer, o poeta do “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não– que agora confirmou não se tratar de autobiografia… – proferir um discurso – lido!… – de 10 minutos a dizer uma coisa e, no último parágrafo, contradizer-se relativamente a tudo quanto antes afirmara em tom gongórico e, como todos os gongorismos, de forma fátua, sem utilidade, apenas frases ocas.

Como ele próprio se encarregou de demonstrar, o seu verso é falso. Nem sempre há quem resista. Ele, pelo menos, não o faz.

E o mais estranho é que tenha conseguido, em discurso – lido!... – passado tanto tempo a “justificar-se” dizendo que não dividiria o partido. Será que não se apercebeu de que essa justificação é encargo que deve caber a Soares, já que ele, Alegre, ainda que triste, se disponibilizara primeiro?

Quem não consegue aperceber-se de coisas tão simples, de tais contradições, não deve, na verdade, concorrer ao cargo de presidente da república, porque está mais do que visto – provou-o ele próprio – que não tem condições minimamente aceitáveis para o lugar.

Deste, enfim, estamos livres. Pena é que não o estejamos também dos outros dois… Sim, Soares e Cavaco. Venha gente nova, que estes são velhos e relhos e estamos fartos deles.
...
Deus nos proteja, que bem precisamos!

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Só nos resta uma solução, para tentarmos mudar este status quo que nos menoriza, amesquinha e envergonha até à medula a cada episódio mais trágico-cómico: votar nulo. É o que farei, é o que tentarei levar os meus concidadãos a fazer.
...
Por questão de dignidade!

...

13 comentários:

Carlos disse...

Excelente posta!
É exactamente o que penso.

Mas Manuel Alegre ainda conseguiu fazer a demonstração do atoleiro em que vivemos, regime criado e mantido por Mário Soares.

Mário Soares nem isso tem a coragem de fazer. O seu umbiguismo sempre o levou a pensar que Portugal lhe ficará eternamente grato.

Talvez por sermos o país mais atrasado da Europa.

ps:farei um link para este artigo e site.

PatoMandarim disse...

Ninguém lhes ganha aos matraquilhos

Relativamente a Soares não há surpresa alguma.
Desde sempre nos habituou a dizer (com convicção) uma coisa agora e a fazer o contrário (com a mesma convicção) no minuto seguinte.
É o síndroma dos homens vaidosamente balofos.
"...o passeio de Cavaco pela Av da Livberdade, como se de um plebiscito se tratasse..."
mereceu a reflexão deste ansião de 81 anos que aos 80 (quando tinha um pouco de lucidez) disse ".. é altura de mudar de vida... nem política partidária nem exercício de cargos políticos... só se estivesse louco..."
Manuel Alegre é igual a si próprio. Nos anos 60 desertou, desertou agora de novo.
Nos tempos de estudante davam-lhe os papeis para ler. Continua hoje a ler papeis.
Aquilo de
"há sempre alguém que resiste..."
ou
" perguntei ao vento que passa..."
não passam de liberdades poéticas.
Os remates finais contradizem tudo o que pergunta ao vento.

A jogar aos matraquilhos ninguém ganha aos socialistas.
Manel Alegre confirma. Sempre foi especialista.

Ricardo disse...

Viva Ruvasa,

Como nota de humor recordo que quem apresentou-se na penúltima campanha presidencial como campeão de matraquilhos (enquanto jovem) foi cavaco Silva.

Nenhum partido pode reclamar o prémio da coerência, infelizmente para Portugal! Não há partido que possa dizer que não anda ao sabor do vento e disso não tenho a menor dúvida!

Abraço,

lazuli disse...

todas as críticas são livres, com ética e correcção, como esta. Continuarei a ver o M. Alegre como um poeta português de muito valor. Um abraço da Fernanda.

azurara disse...

Um concordando em tudo excepto na parte final.
Votar nulo (ou branco) só favorece a esquerda.
Desta vez cabe-me a mim (a nós outros) tomar os sais de frutos.
Abraço

Isabel-F. disse...

Oi Ruben...

Concordo com o Post....no entanto, como diz o Azurara...votar nulo não irá favorecer somente a esquerda??'

Bj

Sulista disse...

Viva Ruben :-)

Antão estamos de vuelta ao activo!

Qt ao teu post é bom como o costume mas discordo do que o Azurara e a Isabel Filipe dizem...Votar nulo só vai ajudar a Direita e não a Esqª !! ehehehe

Beijinho

Ruvasa disse...

Vivam, Amigos!

Vou tentar responder a todos de uma assentada.

SULISTA

Não. Ainda não estou de volta de vez. Tenho andado com outros afazeres, que me têm tomado muito tempo. Têm a ver com a organização da genealogia da minha família e da da minha mulher.

Tal facto levou-nos a tornarmo-nos "ratos de arquivos" e, assim, temos andado aí pelo país, catando.

ISABEL FILIPE, AZURARA e SULISTA

Acho que não. Não favorece a Esquerda nem a Direita.

Em meu entendimento desfavorece-os a todos. Se nas presidenciais aparecerem 10% ou mais de votos nulos, é uma tremenda de uma bofetada que os políticos recebem. E talvez que, FINALMENTE, pwercebam que, ou arrepiam caminho, ou as coisas vão engrossar ainda mais.

Ou lhes mostramos realmente o nosso desagrado com todo o seu comportamento geral ou continuaremos a ser desprespeitados, porque eles CONTINUARÃO a entender que nos podem fazer tudo o que lhes dá na realíssima gana, todas as afrontas, todas as desfaçatezes, todas as ignomínias, porque nós somos amorfos e, como tal, a nada reagimos.

Ora, a ocasião mais propícia para tal tipo de acção é a realização das presidenciais.

E, para dizer francamente o que penso: tanto faz ser colocado em Belém Mário Soares como Cavaco.

Digo isto, porque já ultrapassei o aspecto clubístico da questão. Eu não quero ou deixo de querer que Mário Soares ou Cavaco vão para Belém, porque são de Esquerda ou são de Direita. Eu não quero que nenhum deles vá para lá, porque não prestam. Não servem o país. Há que arranjar outra gente. Estes são políticos velhos, cheios de vícios e que já não aprendem nada. Não prestam. Não servem para Portugal.

Uma vez em Belém, Mário Soares vai fazer a vida negra a qualquer governo, seja lá qual for. Ele, como se sabe, é o desestabilizador-mor do reino. Vai tentar ir para lá só por vaidade, a vaidade e fatuidade de que é expoente máximo na política portuguesa.

Uma vez em Belém, Cavaco Silva vai afrontar qualquer governo que esteja em funções, seja lá qual for. Vai meter-se nos aspectos da governação. Vai ser um foco de desestabilização, não por vaidade ou fatuidade, mas por ter a célebre mania de que só ele sabe, nunca se engana e raramente tem dúvidas. Otra, homens sem dúvidas são perigosíssimos. Como primeiro-ministro, estava controlado; como presidente da república, quem controla é ele. É um perigo.

Não podemos ter hesitalções. Há que dar-lhes uma lição forte e decisiva. Mostrar a ambos - e com isso a todos os outros - que políticos como eles dispensamo-los bem e será um alívio vermo-nos livres deles.

FERNANDA

Claro que Manuel Alegre é um poeta português de valor. Estamos de acordo. Poeta. Político, não!

Assim sendo, o melhjor é que se deixe estar a fazer o que sabe e não se meta a fazer o que não sabe.

RICARDO

Quantos aos partidos é melhor nem falarmos. O sistema partidário que temos faliu. Será que algfuma vez existiu mesmo, para falir, ou nunca podia ter falido, por jamais ter existido, se não como mero arremedo?

PATO MANDARIM

Repito. Como poeta, ok. Como político, o meklhor é meter a viola no saco como fez... ou não fez... ou talvez tenha feito... sabe-se lá se irá fazer... enfim!...

CARLOS

É verdade. Portugal é pequeno demais para encher o umbigo de Mário Soares. Isto, por um lado.
Pelo outro, como, quando vai lá fora, só dá barracada (relembre-se a triste figura de alta falta de educação que teve quando foi preterido pelos colegas no Parlamento Europeu por uma senhora, para quem foi extremamente incorrecto) e não tem a aceitação que tantos meios de comunicação sempre disseram que tinha, resta-lhe fazer umas flores por cá. É o que tenta, mesmo desacreditando-se como se desacredita. Mas será que desacredita? Ou já estava?

Beijos e abraços para todos

Ruben

Pretus S.A. disse...

Viva Ruben, depois de umas férias... Sendo assim VOTA NULO. Já não se abstem como ficou previsto no "Se eu votasse em Outubro". Mudam-se os tempos...

UGA

Ruvasa disse...

Viva, Preto, SA!

Podem mudar-se os tempos. Não eu, a menos que haja motivos sérios para isso.

O meu amigo entendeu tudo mal. Tentarei explicar:

Sempre disse que nas próximas eleições PRESIDENCIAIS votarei nulo e tudo farei por que os meus concidadãos o façam também. Entendo que é a única forma de darmos uma lição nos politiquelhos que por aí vegetam, mostrando-lhes que não estamos mais para os aturar.

Quando disse "Mas, se eu cá estivesse em 9 de Outubro e votasse em qualquer candidato..."

1. Não estava a desdizer-me, porque nunca disse que votaria nulo nas autárquicas. O que tenho dito, isso sim, é que tenho votado nulo nas autárquicas. O que é verdade. Tenho lá deixado quadras lindas!...

2. Mas, ao dizer que só votaria em candidato que chorasse baba e ranho estou a ironizar, não estou a dizer que votaria. Não é fácil de perceber?

3. Onde é que viu eu ter dito, seja onde for, que me absteria? Só pode ter sido em delírio, amigo. Sou absolutamente contra duas coisas, a saber:

a) Abstenção
b) Voto em branco

Se tivesse estado com a atenção que quer dar a entender ao que escrevo, sabia já de há muito, que tenho essa posição, porque, tendo estado ligado à realização das eleições e fiscalização das mesas, durante 12 anos (sem contar com mais 7 anos em que estive num órgão por onde essas coisas passam), constatei muitas coisas que me levam a aconselhar toda a gente a nunca se abster nem sequer votar em branco.

Tenho dito sempre que as pessoas devem ir votar e, se não lhes agrada nenhuma das cxandidaturas, devem anular o voto. Assim se evitam trafulhices, as muitas que certamente há.

Dou-lhe mais uma ajuda. Se V. não for votar, é com a maior das facilidades que aparecerá a votar em candidatura com que não concorda; se for votar e deixar o voto em branco, então ainda mais fácil é acabar a votar em quem não quer.

Está a ver como se esbarrondou por completo? Leu à pressa... dá nisso.

Essa sua ironia um tanto deslocada saiu-lhe um pouquito canhestra. Estou certo de que, para a próxima, se sairá melhor.

Ruben

Mar Adentro disse...

Encontrei este espaço ao acaso. Extraordinário o seu trabalho. Parabéns, está excelente.

Ruvasa disse...

Viva, Mar Adentro!

Obrigado pelas amáveis palavras.

Fui ver o seu blog e gostei. Linkei-o já.

abraço

Ruben

Sulista disse...

Viva Ruben,

Antão espero que a organização da genealogia da Vossa família corra bem ;-) e assim que der, volta...fazes falta na Blogosfera, caramba !!

;-)
Beijinho