sábado, abril 22, 2006

739. Petição






Através do blog Do Portugal Profundo, do António Balbino Caldeira, acabo de tomar conhecimento da seguinte petição, acerca das faltas dos deputados às votações da quarta feira da passada semana, no hemiciclo de S. Bento.

Sou dos que consideram que tais faltas talvez tenham sido um bem, já que as leis produzidas pela Assembleia da República são autênticos exercícios de incompetência e nonsense, tal o macarrónico português usado e a forma desleixada como são pensadas e elaboradas, que as leva, em grande parte, a serem alteradas pouco tempo após publicação no jornal oficial (casos há em que as alterações se tornam inadiáveis menos de duas semanas após...).

Ainda assim, contudo, atrevo-me a sugerir que seja subscrita pelo maior número de pessoas, bloguistas ou não. E que lhe seja dado o maior relevo, através dos meios que forem julgados mais convenientes.

Aos mais descrentes, sempre direi que é porfiando que se alcança o objectivo pretendido. Se estamos em profundo desacordo com certas práticas, que a todos desonram, há que combatê-las sem tréguas e aos seus autores. Não o fazer é pactuar com a incompetência, o laxismo, a indignidade.

Decidindo não agir em defesa dos nossos direitos, esperamos que alguém o faça por nós?
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3 comentários:

Pedro Roque disse...

Há aqui um grave e lamentável equívoco: a Assembleia da República é um órgão de soberania. Como é que o Presidente da República e 1.º ministro (que também e "pour cause", é deputado) podem admoestar deputados eleitos pelo povo? Será que existem órgãos de soberania de primeira e outros de segunda classe?

Sem pretender relevar, justificar ou branquear o comportamento absentista de alguns deputados em parece-me muito perigosa esta autêntica cruzada anti-parlamentar que de forma consciente, ou não, se assiste entre nós.

O parlamento, eleito de forma livre e democrática, como é o caso do português, constitui a essência da democracia em que queremos viver. Colocá-lo em causa, de forma sistemática e, quantas vezes gratuita, é a melhor forma de abrirmos as portas a regimes autoritários de má memória mas que parecem sugerir certos discursos saudosistas.

A alternativa, meus amigos, é um sujeito de bigode, autoritário, que elimina todas as vozes discordantes mas que parece obter a anuência de 99,7% das pessoas em plebiscitos "rigorosamente organizados". Portanto “amado pelo povo” já que a paz política é uma realidade, sem contraditório ou escândalos de espécie alguma.

É para isso que queremos evoluir? Claro que não, até porque, paradoxalmente, a blogosfera seria então "rigorosamente suavizada" à semelhança de alguns países autoritários.

Não deixem de exercer o vosso sentido crítico mas sejam justos e imparciais nas análises e, acima de tudo, não confundam a nuvem com Juno.

Fernando disse...

Eu acho lamentável e inadmissivel a ausência de deputados que registaram a presença e se pisgaram. Só esses! Baralhar a opinião pública com ataques desabridos "a todos os deputados" é indecente. É isso que pretende a direita populista para desprestigiar a democracia. É verdade que há deputados e partidos que dão o flanco. Mas generalizar é terrível.Os deputados dos verdes e do BE estiveram presentes do principios ao fim. Eu n acredito noutro regime que n seja a democracia representativa e participativa (e aqui há muito que fazer). Mas não é estar de fora a mandar bocas que as coisas se resolvem. Os partidos actuais n servem arranjem outros. N consigo imaginar a democracia sem partidos. Dizer mal está na moda. É preciso criticar, dizer mal, mas fazer alguma coisa. É muito cómodo dizer mal mas n fazer nada para mudar. Eu sou militante de um partido e não me considero "dependente" desse partido. Estou no partido com que mais me identifico e luta pelas minhas ideias sem constrangimentos, muitas vezes concordando algumas vezes discordando. Agora bota-abaixismo não! Sem participação n há democracia, estar fora a dizer mal é confortável, mas n fazer nada para mudar é demagogia. Que país e politicos querem? Onde estão? Eu acredito que há pessoas sérias e bem intencionadas a lutar para haver justiça social e uma sociedade melhor para todos. Tenho um cargo público como aderente do Bloco e não me canso de lutar por uma sociedade melhor e mais justa. Não misturem tudo por favor.

Ruvasa disse...

Vivam, Pedro Roque e Fernando!

A minha resposta aos vossos amáveis comentários encontrá-la-ão nos posts A Petição (I) e (II), desta data, neste mesmo blog.

Cumprimentos

Ruben