segunda-feira, junho 13, 2005

423. O adeus a Eugénio de Andrade

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


6 comentários:

Anónimo disse...

Olá Ruvasa,

Só um poeta para reconhecer a verdadeira beleza do trabalho de um outro poeta.
Parabéns pela escolha.

Abraço.
Abelhunça

Ruvasa disse...

Viva, Abelhunça!

Obrigado pelo elogio. Não merecido, aliás.

Mas que gostei, lá isso gostei.

Abraço grande

Ruben

Menina Marota disse...

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

[Eugénio de Andrade in Urgentemente]

A minha melhor homenagem é "cantar" os seus poemas, nesta língua que é a nossa Pátria.
Morreu um dos Poetas vivos, que eu mais gostava.
Mas fica VIVA a sua memória, no legado da sua palavra, bem Portuguesa.

Um abraço solidário.

Anónimo disse...

Senti muito a morte de Eugénio de Andrade, poeta que me habituei a ver passear, pelas ruas da Foz do Douro, sempre com o seu eterno cachecol inglês. Em sua homenagem aqui deixo, usando as suas próprias palavras, o que me vai na alma:

"Não voltará o que dele me ficou"
"Mas deve haver um caminho,
para regressar da morte"

Ruvasa disse...

Viva, Zé!

Compreende-se que sinta.
Basta atentar o "pétit nom" que escolheu para intervir nos blogs.

Abraço amigo

Ruben

Anónimo disse...

Sempre atento amigo Ruvasa...
Ao apoderar-me de algo que ele não quiz julguei ficar com um pouco dele. Apenas consegui a admiração....