sexta-feira, março 31, 2006

713. Sonae quer esconder a co-incineração...

... dos turistas.

Este o título de uma notícia de 26 do corrente, no Setúbal na rede, O Portal do Distrito.

Pois...

Por que não Belmiro de Azevedo convencer o seu amigo Sócrates a ir queimar (-se?) para outros paragens?

Por outro lado, não é ele, Belmiro, que manda no País? A quem todos pressurosa e subservientemente acorrem para o beija-mão da praxis?

Então?!

Estará Setúbal condenada a continuar a ter tratamento underdoguesco? Por qualquer arrivista mal enjorcado que apareça? E por culpa dos setubalenses, filhos próprios ou adoptados, que, mais parecendo impotentes ou castrados, uma vez mais vão deixar-se vilipendiar?

Questões candentes que muito gostaria de ver respondidas.

* * *

Já agora, repare-se no “mimo” abaixo.

A páginas tantas da apresentação em Setúbal da iniciativa “Academia Aberta do Turismo”, organizada pelo Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), Henrique Montelobo, ilustre administrador executivo da Sonae Turismo sai-se com esta:

- Não alinhamos em campanhas que afastem os turistas de Tróia

Surpresa... surpresa...


A quem se referia Montelobo? A Sócrates e ao governo, como seria curial e expectável, por estarem a destruir o ambiente em Setúbal e na Arrábida, mas também no empreendimento do amigo Belmiro?

Não, nada disso.


Estava, sim, a dar um puxão de orelhas a todos quantos vão manifestando a sua oposição à co-incineração na cimenteira Secil, que mais penaliza a Arrábida e toda a região.

Só faltou ao ilustríssimo administrador mandar expressamente calar quem se insurge contra mais este atentado feito a Setúbal. Ficou para a próxima. Desta vez quedou-se pela insinuação-aviso...

Em Portugal, é assim… no consulado de Sócrates, o consolado. E cidadão a vê-los passar...

Como não hão-de os portugueses renegar políticos e outros artistas congéneres?

4 comentários:

PortoCroft disse...

Confesso que estou dividido nesta questão.

Por um lado entendo, no caso, as preocupações dos setubalenses; por outro, também não me parece justo que se transfira a incineração para um concelho que não tenha tradição industrial, por exemplo.

A cimenteira é que nunca deveria ter sido implantada no local onde está. Até em termos turísticos é uma vergonha. Um tipo vai para Tróia, sai do apartamento e leva logo com os fumos no horizonte mais próximo. Embora tenha que dizer que, da última vez que estive em Tróia, ter tido a sensação de que já não eram tão cinzentos quanto há uns anos atrás.

Abraço.

Ruvasa disse...

Viva, Croft!

É verdade que a cimenteira nunca deveria ter sido implantada onde foi. Isto é o que vulgarmente se sabe.

O que vulgarmente não se sabe é que o prazo da concessão estava a chegar ao fim e, de repente, começam a surgir estes casos para levar à sua prorrogação.

Ninguém pretende que a co-incineração, ao não vir para cá, acabe por ser atirada para outra localidade, mas o país tem zonas pouco menos do que desérticas e sem interesse turístico ou seja lá qual for onde a queima não fará tanto estrago.

A opção deveria ser, pois, a de

- construir central de queima, especial para o efeito, num desses locais,

ou, então,

- privilegiar-se a solução para que se tendia no anterior executivo e que era aceite por todos, organizações ambientalistas incluídas.

Apenas a socrática teimosia, a socrática arrogância fez com que tudo voltasse atrás.

E digo que é apenas por questão de teimosia e arrogância porque ignoro que outros negócios possam estar por detrás. Sim, porque isto é muito conveniente para as cimenteiras.

O facto de serem mais ou menos cinzentos os ares pouco significa. Foi-lhe possível ir à Arrábida e ver como está a vegetação, pior ainda desde que houve o incêndio?

Sabia, aliás, que a maior parte da flora existente na serra é de origem jurássica?

A Secil faz marketing, dizendo que já plantou um milhão de árvores, para repor o que estragou. Muito gostaria que eles fizessem a prova do que afirmam, pois que o que se vê é a serra cada vez mais esventrada, numa miséria.

E veja este contrasenso. Deixam por lá continuar aquela "bruteza" e, por outro lado, não permitem a construção, no perímetro do Parque Natural, a construção de uma simples pousada turística, coisa que em qualquer país civilizado, teria sido já utilizada para benefício da região.

E é assim que o turismo em Setúbal é de anedota, pois se resume a estadas de 3 ou 4 horas, para depois se fugir para Lisboa, para Évora ou para o Algarve.

E sabe o porquê de tudo isto? É que Setúbal teve o azar de ser desafecta aos regimes, o anterior e o actual. Então, os atropelos têm sido mais do que muitos.

Vergonhoso!

Eu só me admiro é do facto de os setubalenses, em vez de aprenderem a lição, com tantos pontapés que têm levado, ainda irem lá entregar os seus votos, sempre que há eleições. Não há dúvida, há muito masoquismo nisto.

Abraço

Ruben

azurara disse...

Olá Ruben

Tenho um irmão em Setúbal e, de quando em vez, vou aí e vejo a Arrábia e a cimenteira. E não me apercebo dos problemas, a não ser do desgaste.
Quer parecer-me que o problema estará mais na cimenteira que na eventual futura co-incineração.
Será assim?

Ruvasa disse...

Viva, Agnelo!

Claro que a cimenteira deu cabo disto tudo.

A co-incineração é só um cretino e maldoso aditamento. E uma afronta, claro!

Abraço

Ruben