segunda-feira, julho 25, 2005

510. A mijadinha de Afonso Henriques

Um meu bloamigo inseriu no seu Terras de Azurara post em que, a determinada altura, pergunta:

1. Quando a Ermida foi construída, terá havido um “amplo movimento popular” de repúdio pela consequente destruição do património construído (árabe) e pelo atentado contra a paisagem natural?


2. Se a Ermida ainda não tivesse sido construída, será que a conseguiríamos erigir hoje?


Como não consigo comentar lá (desconfio que fui amigavelmente saneado…), faço-o aqui.

A sorte dos mangualdenses é que Afonso Henriques, quando por aqueles lados passou, não ia apertado para fazer uma mijadinha…

Se o fosse, estava tudo tramado. Local com vestígios, ainda que não visíveis, de mijadinha de Afonso Henriques, teria que ser preservado a todo o custo. Logo, a ermida que se tramasse.

O que certos “ambientalistas” não conseguem compreender é que o “ambiente” deve ser preservado, mas jamais à custa do bem-estar, material e espiritual, do Homem. Porque o "ambiente" não passa, na verdade, de uma ferramenta, posta à disposição do Homem, para que lhe sirva durante a a sua estadia temporária, cá no terceiro calhau a contar do Sol.

O que certos ambientalistas têm imensa dificuldade em perceber é algo que qualquer criancinha de colo percebe facilmente: é que o Homem é a medida de todas as coisas, a fronteira final. E, assim, qualquer empreendimento a levar a cabo tem que ter como objectivo derradeiro, destinatário impostergável, o incontornável ser humano.

Dou um exemplo típico: Foz Côa.

Impediu-se a construção de uma barragem que constituiria uma excelente reserva de água, fonte de energia e bolsa de empregos para as gentes da região e até de fora. Tudo isso em nome da preservação de desenhos rupestres muito dignos e merecedores de deferência especial, mas jamais mais justificadores da atenção dos poderes públicos do que um simples e insignificante ser humano.

E o impedimento verificou-se, não obstante a possibilidade que havia de preservar as gravuras de mil e uma formas diversas daquela que foi encontrada.

No fim, para quê? Cumpriu-se algo do que foi então prometido? Que ganharam as actuais e futuras gentes da região com tão “humanitária” sentença? Ah! Sim! Estão no desemprego e sem água e até energia eléctrica, mas têm as montanhas de divisas que lhes são exuberantemente oferecidas pelos milhões de turistas que fazem milhares e milhares de quilómetros para virem visitar algo que estão fartos de ver em outros locais mais abrigados e cómodos.

O que falta a certas mentes é uma bitola capaz de lhes dar a correcta dimensão das coisas. Mas também uma perspectiva histórica, já que a humanista, nem vê-la.

Portugal está transformado num viveiro de demagogos perfeitamente idiotas e ignorantes.

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